segunda-feira, setembro 30, 2013
Nem TVI, nem autárquicas
Nem TVI, nem autárquicas
Autárquicas vs. Casa dos Segredos - a confirmação
Abstenção nacional - 47,36% (com 71 freguesias por apurar)
Audiências de Televisão
RTP1 - 14,3%
RTP2 - 1,7%
SIC - 14,4%
TVI - 27,0%
Total Cabo - 31,9%
Outros - 10,7%
Vergonha, foi o que senti quando a TVI trocou a análise dos resultados eleitorais pela entrada de três loiras de reputação muito duvidosa na Casa dos Segredos. Muito mais do que imaginei que iria sentir. A forma como a TVI trocou a emissão fez-me sentir que todo o país estava a ser enxovalhado. Mais vergonha sinto hoje, quando confirmo o elevado número de abstencionistas em linha de concordância com a forma como a estação de Queluz de Baixo cilindrou a concorrência com esta opção que apenas confirma que a TVI fez a aposta certa: é aquilo que os portugueses realmente querem. E eu que acho que há momentos para tudo, sinto-me praticamente de luto.
Autárquicas vs. Casa dos Segredos - a confirmação
Abstenção nacional - 47,36% (com 71 freguesias por apurar)
Audiências de Televisão
RTP1 - 14,3%
RTP2 - 1,7%
SIC - 14,4%
TVI - 27,0%
Total Cabo - 31,9%
Outros - 10,7%
Vergonha, foi o que senti quando a TVI trocou a análise dos resultados eleitorais pela entrada de três loiras de reputação muito duvidosa na Casa dos Segredos. Muito mais do que imaginei que iria sentir. A forma como a TVI trocou a emissão fez-me sentir que todo o país estava a ser enxovalhado. Mais vergonha sinto hoje, quando confirmo o elevado número de abstencionistas em linha de concordância com a forma como a estação de Queluz de Baixo cilindrou a concorrência com esta opção que apenas confirma que a TVI fez a aposta certa: é aquilo que os portugueses realmente querem. E eu que acho que há momentos para tudo, sinto-me praticamente de luto.
domingo, setembro 29, 2013
Eleições vs. Casa dos Segredos
Eleições vs. Casa dos Segredos
sexta-feira, setembro 27, 2013
Patrão fora, dia santo na loja
É inacreditável como há quem consiga levar este provérbio à risca. Eu até queria, mas o trabalho não me deixa. E sim, tenho alguma inveja de quem consegue pô-lo em prática.
Patrão fora, dia santo na loja
É inacreditável como há quem consiga levar este provérbio à risca. Eu até queria, mas o trabalho não me deixa. E sim, tenho alguma inveja de quem consegue pô-lo em prática.
quinta-feira, setembro 26, 2013
E agora para algo completamente surpreendente...
O que é que é melhor nesta coisa do sapo? A caixa de comentários! Surpreendidos? Também eu. Durante anos a lutar contra este mecanismo difícil e de pouca intuição que não me reconhecia nem à lei da bala e me obrigava a tanto exercício antes de dizer um simples ai que acabava por desistir, estou rendida. Porquê? Porque depois de se entrar para o clube - é triste, mas é assim em tudo na vida - as dificuldades são coisa do passado e é-nos dado a conhecer um mundo novo. Não só somos da casa - esqueçam isso de terem de se registar sempre que querem falar com os amigos - como somos avisados de qualquer comentário ou reacção ao nosso blog. É quase maravilhoso. Não é perfeito, que não é, mas anda por lá perto. Ando fascinada com isto.
E agora para algo completamente surpreendente...
O que é que é melhor nesta coisa do sapo? A caixa de comentários! Surpreendidos? Também eu. Durante anos a lutar contra este mecanismo difícil e de pouca intuição que não me reconhecia nem à lei da bala e me obrigava a tanto exercício antes de dizer um simples ai que acabava por desistir, estou rendida. Porquê? Porque depois de se entrar para o clube - é triste, mas é assim em tudo na vida - as dificuldades são coisa do passado e é-nos dado a conhecer um mundo novo. Não só somos da casa - esqueçam isso de terem de se registar sempre que querem falar com os amigos - como somos avisados de qualquer comentário ou reacção ao nosso blog. É quase maravilhoso. Não é perfeito, que não é, mas anda por lá perto. Ando fascinada com isto.
quarta-feira, setembro 25, 2013
Woody, eu dou-te o argumento!
Então é assim: pegas na Scarlett Johanson - Allen, querido, toda a gente sabe da tua tara, não é preciso teres problemas, está-se bem. Como eu dizia, pegas na Scarlett Johanson e pões a miúda a sair da faculdade e a pesquisar anúncios de emprego. À Scarlett, não stress que não o papel não exige muito, basta ser ela própria. Aliás, exactamente por isso, na cena seguinte, arranjas um Hugh Jackman - alguma coisa que leve as mulheres ao cinema, já sabes quem é que manda lá em casa - e mostras o gajo a contratar a recém-licenciada: é mentira, toda a gente sabe que ela não concluiu sequer as cadeiras do primeiro ano, mas se queres retratar a realidade portuguesa, tem mesmo de ser assim. Senão, não é verosímil. Inventas uma maneira porreira de mostrar a passagem de tempo, vestes a miúda com umas roupas giras, que se veja muito corpo desnudo, mas nada que seja demasiado agressivo e, como tu sabes bem fazer, contas aos telespectadores que aquela relação vai para lá do que é profissionalmente exigido.
Ah, estou a esquecer-me de te contar outro pormenor essencial: a Penelope Cruz. Toda a gente sabe que os portugueses são tipos morenos, quase arraçados de americo-latinos, e só a Penelope Cruz é que te enche as medidas para esse tipo de papel. Tiras a miúda de casa, mas deixa-a trazer os filhos atrás. Se vierem com as fraldas agarradas, tanto melhor. Só que, neste caso, trocas a indumentária à actriz. Toda ela terá de se apresentar com pecinhas do grupo Inditex - é espanhol, mas é mesmo assim que se faz em Portugal. Para ser mais real, deveriam ser roupas de lojas chinesas, mas o cinema exige algum glamour. Qual é o papel da Penelope? Pois, a querida é a mulher do Hugh Jackman, bem se vê. O resto, já sabes como é, não vou estar a ensinar a missa ao padre. Não te esqueças é que a Penelope tem de ter um curriculum a sério - não de fachada como o da Scarlett -, tem de estar desempregada mas é imperativo que se perceba que é uma profissional competente e, basicamente, só a podes mostrar confinada às tarefas domésticas. Exagera bastante nessa parte, para mostrares o quão complicado é gerir uma casa com orçamento dos ordenados praticados em Portugal e os subsídios de desemprego.
Ainda estás a acompanhar? Pronto. Aproveita essas cenas para mostrares o Castelo dos Mouros, a ponte 25 de Abril e as ruas pitorecas dos bairros típicos de Lisboa. Até podes por a nossa Penelope a passar em frente aos Pastéis de Belém e a admirar a fila de turistas que ali se aglomera. Este pode, apercebo-me agora, ser um dos momentos cruciais para o teu argumento: é aqui que a Penelope assiste à traição. Sim, porque todos sabemos Woody, filme sem traição, não é filme. Menos ainda se contar com a nossa Scarlett no argumento. Soaria a falso. A cena final - completamente out of the blue - mostraria a quase falência da empresa do Hugh, causada por um erro de gestão da pequena Scarlett. Apesar das evidências, todos sorriem e entregam o prémio de funcionária do ano à traidora. Penelope é escorraça e perde o subsídio de desemprego.
Não digas que não te dou nada, Allen querido.
Woody, eu dou-te o argumento!
Então é assim: pegas na Scarlett Johanson - Allen, querido, toda a gente sabe da tua tara, não é preciso teres problemas, está-se bem. Como eu dizia, pegas na Scarlett Johanson e pões a miúda a sair da faculdade e a pesquisar anúncios de emprego. À Scarlett, não stress que não o papel não exige muito, basta ser ela própria. Aliás, exactamente por isso, na cena seguinte, arranjas um Hugh Jackman - alguma coisa que leve as mulheres ao cinema, já sabes quem é que manda lá em casa - e mostras o gajo a contratar a recém-licenciada: é mentira, toda a gente sabe que ela não concluiu sequer as cadeiras do primeiro ano, mas se queres retratar a realidade portuguesa, tem mesmo de ser assim. Senão, não é verosímil. Inventas uma maneira porreira de mostrar a passagem de tempo, vestes a miúda com umas roupas giras, que se veja muito corpo desnudo, mas nada que seja demasiado agressivo e, como tu sabes bem fazer, contas aos telespectadores que aquela relação vai para lá do que é profissionalmente exigido.
Ah, estou a esquecer-me de te contar outro pormenor essencial: a Penelope Cruz. Toda a gente sabe que os portugueses são tipos morenos, quase arraçados de americo-latinos, e só a Penelope Cruz é que te enche as medidas para esse tipo de papel. Tiras a miúda de casa, mas deixa-a trazer os filhos atrás. Se vierem com as fraldas agarradas, tanto melhor. Só que, neste caso, trocas a indumentária à actriz. Toda ela terá de se apresentar com pecinhas do grupo Inditex - é espanhol, mas é mesmo assim que se faz em Portugal. Para ser mais real, deveriam ser roupas de lojas chinesas, mas o cinema exige algum glamour. Qual é o papel da Penelope? Pois, a querida é a mulher do Hugh Jackman, bem se vê. O resto, já sabes como é, não vou estar a ensinar a missa ao padre. Não te esqueças é que a Penelope tem de ter um curriculum a sério - não de fachada como o da Scarlett -, tem de estar desempregada mas é imperativo que se perceba que é uma profissional competente e, basicamente, só a podes mostrar confinada às tarefas domésticas. Exagera bastante nessa parte, para mostrares o quão complicado é gerir uma casa com orçamento dos ordenados praticados em Portugal e os subsídios de desemprego.
Ainda estás a acompanhar? Pronto. Aproveita essas cenas para mostrares o Castelo dos Mouros, a ponte 25 de Abril e as ruas pitorecas dos bairros típicos de Lisboa. Até podes por a nossa Penelope a passar em frente aos Pastéis de Belém e a admirar a fila de turistas que ali se aglomera. Este pode, apercebo-me agora, ser um dos momentos cruciais para o teu argumento: é aqui que a Penelope assiste à traição. Sim, porque todos sabemos Woody, filme sem traição, não é filme. Menos ainda se contar com a nossa Scarlett no argumento. Soaria a falso. A cena final - completamente out of the blue - mostraria a quase falência da empresa do Hugh, causada por um erro de gestão da pequena Scarlett. Apesar das evidências, todos sorriem e entregam o prémio de funcionária do ano à traidora. Penelope é escorraça e perde o subsídio de desemprego.
Não digas que não te dou nada, Allen querido.
Parabéns, Inês!
Hoje faz anos a miúda mais empreendedora e surpreendente que conheci nestes meandros da blogoesfera. Se ainda não conhecem a Inês, façam uma visita ao novo blog dela ou aproveitem para perceber quão fantástica pode ser uma pessoa quando mete uma ideia na cabeça, sobretudo se essa ideia for temperada com imensa paixão. Espreitem o vblog e vão perceber do que estou a falar. Parabéns, miúda!
Parabéns, Inês!
Hoje faz anos a miúda mais empreendedora e surpreendente que conheci nestes meandros da blogoesfera. Se ainda não conhecem a Inês, façam uma visita ao novo blog dela ou aproveitem para perceber quão fantástica pode ser uma pessoa quando mete uma ideia na cabeça, sobretudo se essa ideia for temperada com imensa paixão. Espreitem o vblog e vão perceber do que estou a falar. Parabéns, miúda!
terça-feira, setembro 24, 2013
Bruta com'às portas!
Uma ressalva apenas para dizer que também sou um amor. Quando percebo que errei, peço desculpa. Faço questão.
Bruta com'às portas!
Uma ressalva apenas para dizer que também sou um amor. Quando percebo que errei, peço desculpa. Faço questão.
Também quero prendas!
Praticamente todos os dias recebo, no meu local de trabalho, brindes, prendas, ofertas e bugigangas para uma das nossas "clientes" que é autora de um blog. Ora, vamos analisar a coisa com toda a seriedade: eu sou autora de um blog. Porque é que ninguém me manda esses brindes, prendas, ofertas e bugigangas? Vá lá, também quero mimos.
Também quero prendas!
Praticamente todos os dias recebo, no meu local de trabalho, brindes, prendas, ofertas e bugigangas para uma das nossas "clientes" que é autora de um blog. Ora, vamos analisar a coisa com toda a seriedade: eu sou autora de um blog. Porque é que ninguém me manda esses brindes, prendas, ofertas e bugigangas? Vá lá, também quero mimos.
segunda-feira, setembro 23, 2013
Intelectualidades e culturas
O que faz de cada indivíduo um ser intelectualmente superior ou com conhecimentos acima da média? Será a capacidade de nomear nomes de escritores, actores, pintores, obras de arte, músicos, filmes e outras formas artísticas de tempos que não os contemporâneos da sua própria vivência? Será a habilidade para apreciar o mundo que o rodeia e a aptidão para o relacionar com esse vasto conhecimento que o precede? Será a faculdade de se exibir com um vocabulário rico, exdrúxulo e, por isso mesmo, diversificado dos demais? Ou será que tudo isto mais não é que pura vaidade, altamente datada, da qual pouco ou nada restará nos anos vindouros? Há manhãs que me acordam com dúvidas.
Intelectualidades e culturas
O que faz de cada indivíduo um ser intelectualmente superior ou com conhecimentos acima da média? Será a capacidade de nomear nomes de escritores, actores, pintores, obras de arte, músicos, filmes e outras formas artísticas de tempos que não os contemporâneos da sua própria vivência? Será a habilidade para apreciar o mundo que o rodeia e a aptidão para o relacionar com esse vasto conhecimento que o precede? Será a faculdade de se exibir com um vocabulário rico, exdrúxulo e, por isso mesmo, diversificado dos demais? Ou será que tudo isto mais não é que pura vaidade, altamente datada, da qual pouco ou nada restará nos anos vindouros? Há manhãs que me acordam com dúvidas.
domingo, setembro 22, 2013
Astro rei
Astro rei
Mudámos de endereço
sábado, setembro 21, 2013
Outono
Outono
sexta-feira, setembro 20, 2013
quinta-feira, setembro 19, 2013
Porque a vida é feita de mudanças
Quando passamos do primeiro para o segundo ciclo, mudamos de escola, aprendemos a ler um horário e percebemos que nunca mais teremos apenas um professor que acompanha o nosso ritmo e nos tenta ensinar de acordo com o que somos. Percebemos a responsabilidade e há uma certeza que nos transcende: somos crescidos! O mundo, esse, insiste no sorriso condescendente. Como se fosse mentira.
O que dizer do conturbado período da pré, pós e adolescência efectiva? Lidamos com todas as perguntas e inseguranças, dúvidas e angústias, testamos limites, fazemos descobertas e maravilhamo-nos todos os dias com uma transformação que mais ninguém parece dar conta. Aliás, todos sabem que adolescente é quase sinónimo de miúdos irritantes com a mania que são alguém. Mas quem dúvida que são mesmo alguém?
Não muda quando se entra para a universidade ou se ingressa na vida activa. Cheios das novas responsabilidades, radiantes com o carimbo de adulto no Cartão do Cidadão assim que se completa 18 anos, entusiasmados com as cartas de condução e as liberdades recém-adquiridas somos senhores e reis do mundo. Desta vez é inegável: somos adultos, fazemos parte da sociedade, votamos e sabemos os nossos direitos. Então porque é que nos continuam a olhar com o ar de sempre?
Aos olhos do tal mundo, os mais novos nunca crescem. E por mais que tenha quase 35 anos, que esteja convicta de que vivi mais do que muitos de 80, há toda uma multidão descrente, porque é disto que a sociedade é feita. Por isso é que, sem desprezar ninguém, é importante que saibamos trilhar o nosso próprio caminho, acreditar nas nossas conquistas e deixarmo-nos contagiar pela alegria de cada etapa. Porque também nós nos rimos da criança de cinco anos que diz que já não é bebé. E porque, se chegarmos aos 80, havemos de sorrir com as palermices dos que têm quase 35.
Porque a vida é feita de mudanças
Quando passamos do primeiro para o segundo ciclo, mudamos de escola, aprendemos a ler um horário e percebemos que nunca mais teremos apenas um professor que acompanha o nosso ritmo e nos tenta ensinar de acordo com o que somos. Percebemos a responsabilidade e há uma certeza que nos transcende: somos crescidos! O mundo, esse, insiste no sorriso condescendente. Como se fosse mentira.
O que dizer do conturbado período da pré, pós e adolescência efectiva? Lidamos com todas as perguntas e inseguranças, dúvidas e angústias, testamos limites, fazemos descobertas e maravilhamo-nos todos os dias com uma transformação que mais ninguém parece dar conta. Aliás, todos sabem que adolescente é quase sinónimo de miúdos irritantes com a mania que são alguém. Mas quem dúvida que são mesmo alguém?
Não muda quando se entra para a universidade ou se ingressa na vida activa. Cheios das novas responsabilidades, radiantes com o carimbo de adulto no Cartão do Cidadão assim que se completa 18 anos, entusiasmados com as cartas de condução e as liberdades recém-adquiridas somos senhores e reis do mundo. Desta vez é inegável: somos adultos, fazemos parte da sociedade, votamos e sabemos os nossos direitos. Então porque é que nos continuam a olhar com o ar de sempre?
Aos olhos do tal mundo, os mais novos nunca crescem. E por mais que tenha quase 35 anos, que esteja convicta de que vivi mais do que muitos de 80, há toda uma multidão descrente, porque é disto que a sociedade é feita. Por isso é que, sem desprezar ninguém, é importante que saibamos trilhar o nosso próprio caminho, acreditar nas nossas conquistas e deixarmo-nos contagiar pela alegria de cada etapa. Porque também nós nos rimos da criança de cinco anos que diz que já não é bebé. E porque, se chegarmos aos 80, havemos de sorrir com as palermices dos que têm quase 35.
Custou mas foi!
É possível que a casa ainda cheire a tinta, que haja alguma poeira no ar e os móveis ainda não estejam todos no devido lugar, mas mudei de casa. Ao fim de quase sete anos, a Caixa dos Segredos trocou o Blogspot pelo agora adulto Sapo. Vamos ver como é que corre a mudança. Se me quiserem visitar, agora estou nesta morada: http://petit-secrets.blogs.sapo.pt/. Tragam bolinhos, que eu ofereço o chá.
"Dentro do Deserto", de José Luís Peixoto
Mais do que um segredo, este livro é uma mistura de sentimentos. Há tanto para dizer que é difícil organizar o pensamento e estruturar uma opinião concertada, com alguma utilidade. Este não é um livro normal, é uma obra de não-ficção, quase mascarada de reportagem mas impregnada do cunho pessoal daquele que é um dos escritores portugueses mais reconhecidos da actualidade. Começa aqui a confusão: José Luís Peixoto não é jornalista nem pretende ser. Está tudo muito bem, não se desse o facto de este ser um livro que aborda uma realidade a que muito poucos têm acesso: a necessidade de informação credível e fundamentada é uma constante, um imperativo. Infelizmente, são demasiadas as situações em que o autor não está à altura do que se propõe. E não está por sua culpa mas porque, além de limitado quer em termos materiais quer de movimentos, não tem - e isso é evidente - a formação necessária para dar ao leitor o que ele precisa enquanto o acompanha nesta viagem turística à Coreia do Norte.
Como escritor que é, José Luís Peixoto leva-nos com ele numa viagem de pouco mais de 200 páginas - impressas em folhas com uma gramagem bem superior ao usual - ao que o governo norte-coreano decidiu que podia ser mostrado a um grupo de cerca de 20 curiosos estrangeiros. Sem liberdade de movimentos, sem telemóvel, impedido de tirar fotografias, o autor descreve o que vê, mistura com o que sente e conta-nos o que viveu durante aqueles dias. E é uma surpresa descobrir que ainda se vive daquela forma algures no planeta Terra, dói adivinhar o que se esconde por detrás das fachadas apresentadas aos visitantes. Nenhuma dúvida quanto a isto. Neste momento, em pleno século XXI, existe um país onde o pior pesadelo de George Orwell, recriado em 1984, é uma realidade. Uma realidade. É chocante descobri-lo, é importante dar-lhe voz.
A mistura de sentimentos que o livro provoca surge aqui: durante a leitura de "Dentro do Deserto" a nossa identidade passa a ser a de José Luís Peixoto. Temos fome quando ele tem fome, distraímo-nos quando ele está aborrecido, deixamos de tomar atenção quando o assunto não o cativa. Também dançamos com ele, provamos comida que não queremos de todo comer, sofremos com as saudades dos seus filhos. Isto é mérito do escritor, que brinca com as palavras quando as notas que tirou durante a viagem lhe permitem essa divagação. E eis que estamos perante uma das notas menos positivas: é fácil perceber quando temos o bloco de notas de José Luís Peixoto nas mãos. É ainda mais fácil distinguir os momentos que são escritos de memória e quase que se sente o quanto ela nos escapa por entre os dedos. Se até estes sentimentos são uma boa experiência enquanto leitor? Claro que sim. Mas resultam em frustração quanto àquele que é um dos propósitos do livro: relatar uma realidade acessível a um número limitado de pessoas. O desinteresse do autor resulta em ausência de informação e, por consequência, em perda para o leitor.
É uma viagem que vale a pena fazer, é uma certeza. Mas fica o gosto amargo de se querer mais, de se esperar mais. Ainda assim, resta a convicção de que não saímos iguais deste livro. Não se pode ficar indiferente.
"Dentro do Deserto", de José Luís Peixoto
Mais do que um segredo, este livro é uma mistura de sentimentos. Há tanto para dizer que é difícil organizar o pensamento e estruturar uma opinião concertada, com alguma utilidade. Este não é um livro normal, é uma obra de não-ficção, quase mascarada de reportagem mas impregnada do cunho pessoal daquele que é um dos escritores portugueses mais reconhecidos da actualidade. Começa aqui a confusão: José Luís Peixoto não é jornalista nem pretende ser. Está tudo muito bem, não se desse o facto de este ser um livro que aborda uma realidade a que muito poucos têm acesso: a necessidade de informação credível e fundamentada é uma constante, um imperativo. Infelizmente, são demasiadas as situações em que o autor não está à altura do que se propõe. E não está por sua culpa mas porque, além de limitado quer em termos materiais quer de movimentos, não tem - e isso é evidente - a formação necessária para dar ao leitor o que ele precisa enquanto o acompanha nesta viagem turística à Coreia do Norte.
Como escritor que é, José Luís Peixoto leva-nos com ele numa viagem de pouco mais de 200 páginas - impressas em folhas com uma gramagem bem superior ao usual - ao que o governo norte-coreano decidiu que podia ser mostrado a um grupo de cerca de 20 curiosos estrangeiros. Sem liberdade de movimentos, sem telemóvel, impedido de tirar fotografias, o autor descreve o que vê, mistura com o que sente e conta-nos o que viveu durante aqueles dias. E é uma surpresa descobrir que ainda se vive daquela forma algures no planeta Terra, dói adivinhar o que se esconde por detrás das fachadas apresentadas aos visitantes. Nenhuma dúvida quanto a isto. Neste momento, em pleno século XXI, existe um país onde o pior pesadelo de George Orwell, recriado em 1984, é uma realidade. Uma realidade. É chocante descobri-lo, é importante dar-lhe voz.
A mistura de sentimentos que o livro provoca surge aqui: durante a leitura de "Dentro do Deserto" a nossa identidade passa a ser a de José Luís Peixoto. Temos fome quando ele tem fome, distraímo-nos quando ele está aborrecido, deixamos de tomar atenção quando o assunto não o cativa. Também dançamos com ele, provamos comida que não queremos de todo comer, sofremos com as saudades dos seus filhos. Isto é mérito do escritor, que brinca com as palavras quando as notas que tirou durante a viagem lhe permitem essa divagação. E eis que estamos perante uma das notas menos positivas: é fácil perceber quando temos o bloco de notas de José Luís Peixoto nas mãos. É ainda mais fácil distinguir os momentos que são escritos de memória e quase que se sente o quanto ela nos escapa por entre os dedos. Se até estes sentimentos são uma boa experiência enquanto leitor? Claro que sim. Mas resultam em frustração quanto àquele que é um dos propósitos do livro: relatar uma realidade acessível a um número limitado de pessoas. O desinteresse do autor resulta em ausência de informação e, por consequência, em perda para o leitor.
É uma viagem que vale a pena fazer, é uma certeza. Mas fica o gosto amargo de se querer mais, de se esperar mais. Ainda assim, resta a convicção de que não saímos iguais deste livro. Não se pode ficar indiferente.
"Dentro do Deserto", de José Luís Peixoto
Mais do que um segredo, este livro é uma mistura de sentimentos. Há tanto para dizer que é difícil organizar o pensamento e estruturar uma opinião concertada, com alguma utilidade. Este não é um livro normal, é uma obra de não-ficção, quase mascarada de reportagem mas impregnada do cunho pessoal daquele que é um dos escritores portugueses mais reconhecidos da actualidade. Começa aqui a confusão: José Luís Peixoto não é jornalista nem pretende ser. Está tudo muito bem, não se desse o facto de este ser um livro que aborda uma realidade a que muito poucos têm acesso: a necessidade de informação credível e fundamentada é uma constante, um imperativo. Infelizmente, são demasiadas as situações em que o autor não está à altura do que se propõe. E não está por sua culpa mas porque, além de limitado quer em termos materiais quer de movimentos, não tem - e isso é evidente - a formação necessária para dar ao leitor o que ele precisa enquanto o acompanha nesta viagem turística à Coreia do Norte.
Como escritor que é, José Luís Peixoto leva-nos com ele numa viagem de pouco mais de 200 páginas - impressas em folhas com uma gramagem bem superior ao usual - ao que o governo norte-coreano decidiu que podia ser mostrado a um grupo de cerca de 20 curiosos estrangeiros. Sem liberdade de movimentos, sem telemóvel, impedido de tirar fotografias, o autor descreve o que vê, mistura com o que sente e conta-nos o que viveu durante aqueles dias. E é uma surpresa descobrir que ainda se vive daquela forma algures no planeta Terra, dói adivinhar o que se esconde por detrás das fachadas apresentadas aos visitantes. Nenhuma dúvida quanto a isto. Neste momento, em pleno século XXI, existe um país onde o pior pesadelo de George Orwell, recriado em 1984, é uma realidade. Uma realidade. É chocante descobri-lo, é importante dar-lhe voz.
A mistura de sentimentos que o livro provoca surge aqui: durante a leitura de "Dentro do Deserto" a nossa identidade passa a ser a de José Luís Peixoto. Temos fome quando ele tem fome, distraímo-nos quando ele está aborrecido, deixamos de tomar atenção quando o assunto não o cativa. Também dançamos com ele, provamos comida que não queremos de todo comer, sofremos com as saudades dos seus filhos. Isto é mérito do escritor, que brinca com as palavras quando as notas que tirou durante a viagem lhe permitem essa divagação. E eis que estamos perante uma das notas menos positivas: é fácil perceber quando temos o bloco de notas de José Luís Peixoto nas mãos. É ainda mais fácil distinguir os momentos que são escritos de memória e quase que se sente o quanto ela nos escapa por entre os dedos. Se até estes sentimentos são uma boa experiência enquanto leitor? Claro que sim. Mas resultam em frustração quanto àquele que é um dos propósitos do livro: relatar uma realidade acessível a um número limitado de pessoas. O desinteresse do autor resulta em ausência de informação e, por consequência, em perda para o leitor.
É uma viagem que vale a pena fazer, é uma certeza. Mas fica o gosto amargo de se querer mais, de se esperar mais. Ainda assim, resta a convicção de que não saímos iguais deste livro. Não se pode ficar indiferente.
quarta-feira, setembro 18, 2013
Help, please
segunda-feira, setembro 09, 2013
"O Amante Bilingue", de Juan Marsé
Por que é que ainda não escrevi nada sobre «O Amante Bilingue», de Juan Marsé. Porque ultimamente me tenho sentido com menos capacidade para transmitir o que cada livro me provoca e, ainda, porque este livro mexeu demasiado comigo. Não é a obra-prima que esperava mas, e esta foi mesmo uma experiência muito pessoal, conseguiu arrebatar-me de tal forma que o tinha de pousar ao fim de poucas páginas. Porque a esquizofrenia e bipolaridade da personagem principal - duas palavras que nunca são usadas - estão de tal forma latentes em todas as descrições, atitudes e pensamentos do protagonista, que me roubaram o ar e angustiaram bem mais do que umas simples letras impressas em folha de papel deveriam ter a capacidade de fazer.
Fez-me pensar em Carlos Ruiz Záfon, muito pelos traços que Barcelona trazem ao romance, e leva-me a crer que este será mais um dos escritores que, a espaço de tempo, vou querer revisitar. Não é a obra-prima que pensava, apenas porque o final não teve a apoteose que, já na recta final, me passou pela cabeça que seria possível. Ainda assim, aconselho vivamente, ciente de que nem todos sufocam com as doenças da mente como eu. A descobrir.
"O Amante Bilingue", de Juan Marsé
Por que é que ainda não escrevi nada sobre «O Amante Bilingue», de Juan Marsé. Porque ultimamente me tenho sentido com menos capacidade para transmitir o que cada livro me provoca e, ainda, porque este livro mexeu demasiado comigo. Não é a obra-prima que esperava mas, e esta foi mesmo uma experiência muito pessoal, conseguiu arrebatar-me de tal forma que o tinha de pousar ao fim de poucas páginas. Porque a esquizofrenia e bipolaridade da personagem principal - duas palavras que nunca são usadas - estão de tal forma latentes em todas as descrições, atitudes e pensamentos do protagonista, que me roubaram o ar e angustiaram bem mais do que umas simples letras impressas em folha de papel deveriam ter a capacidade de fazer.
Fez-me pensar em Carlos Ruiz Záfon, muito pelos traços que Barcelona trazem ao romance, e leva-me a crer que este será mais um dos escritores que, a espaço de tempo, vou querer revisitar. Não é a obra-prima que pensava, apenas porque o final não teve a apoteose que, já na recta final, me passou pela cabeça que seria possível. Ainda assim, aconselho vivamente, ciente de que nem todos sufocam com as doenças da mente como eu. A descobrir.
"O Amante Bilingue", de Juan Marsé
Por que é que ainda não escrevi nada sobre «O Amante Bilingue», de Juan Marsé. Porque ultimamente me tenho sentido com menos capacidade para transmitir o que cada livro me provoca e, ainda, porque este livro mexeu demasiado comigo. Não é a obra-prima que esperava mas, e esta foi mesmo uma experiência muito pessoal, conseguiu arrebatar-me de tal forma que o tinha de pousar ao fim de poucas páginas. Porque a esquizofrenia e bipolaridade da personagem principal - duas palavras que nunca são usadas - estão de tal forma latentes em todas as descrições, atitudes e pensamentos do protagonista, que me roubaram o ar e angustiaram bem mais do que umas simples letras impressas em folha de papel deveriam ter a capacidade de fazer.
Fez-me pensar em Carlos Ruiz Záfon, muito pelos traços que Barcelona trazem ao romance, e leva-me a crer que este será mais um dos escritores que, a espaço de tempo, vou querer revisitar. Não é a obra-prima que pensava, apenas porque o final não teve a apoteose que, já na recta final, me passou pela cabeça que seria possível. Ainda assim, aconselho vivamente, ciente de que nem todos sufocam com as doenças da mente como eu. A descobrir.




