Levam os mal-afamados telemóveis topo de gama, tripés e ring lights e, munidos da melhor das intenções, vão atrás do assunto do momento: a guerra e a solidariedade com quem mais precisa. Nas fronteiras da Ucrânia assiste-se ao choque de dois mundos. De um lado, o desespero dos civis arrancados das suas casas, transmutados em refugiados, do outro, a mão que se estende para ajudar as vítimas da guerra de Putin, enquanto se grava um direto para as redes sociais, algumas delas entretanto já banidas da Rússia. Os novos repórteres de guerra deste milénio têm a coragem de largar tudo para estar no momento certo à hora certa e, poderão dizer, falta-lhes a sensibilidade para excluir o seu natural egocentrismo quando em causa estão situações-limite. Mas será mesmo assim?
[In]conscientemente, estes influencers de guerra do século XXI estão a fazer chegar a mensagem não só a ninchos que, por norma, não acompanham a atualidade noticiosa, mas também estão a alcançar o improvável público que está cada vez isolado do acesso à informação na Rússia. São muito jovens os utilizadores do Tik-tok que já entraram em espírito de missão e, todos os dias, se empenham em fazer passar o máximo de informações credíveis sobre o que se passa em ambos os lados da guerra. Resta saber quanto mais tempo de antena terá o Tik Tok para lá da fronteira que nos separa da insanidade.
quarta-feira, março 16, 2022
Influencers na guerra
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
5 comentários:
Que as redes sociais sirvam para alguma coisa boa.
Um abraço
Boa noite, Vanita
Escrevi no meu blog aldeiasobreotamega.blogs.sapo.pt um texto que sendo longo não consigo transcrever aqui. Se estiver interessado pode lê-lo em Dias de hoje - Dia de hoje 34 - Tem por título "Quem é quem na Indústria da Morte" - factos recolhidos na Wikipédia.
Zé Onofre
O maior problema é que 99,999999% dos seguidores desses "influencers" vão ignorar a parte informativa. Ora como boa parte dos influencers já chega a ganhar 650 vezes mais, por mês, do que um jornalista que precisa de andar a correr por todo o lado e ter de conseguir aquela imagem, esses acabam por conseguir a imagem, vendem aos media (sim, muitos dos vídeos "privados" são vendidos aos media, por um valor monetário) assim como cobram 300000 vezes o preço base, para uma publicação sobre a guerra. Infelizmente é assim que se acaba com a base de informação justa.
banalidades, mas ser comedido. Ou teria de falar em "tendinite" e atirar areia aos outros.
afinal se a unanimidade ja existe, para que este post ?
E isto é que seria higienico tratar, a unanimidade, nas suas varias vertentes.
Desde logo reporteres para que ?, se existindo essa previa unanimidade, e só nos chega a versao minuto a minuto dos invadidos ?
Fosca-se, esclareça aqui a malta, que hipotese tem um reporter independente no local se, para alem das limitaçoes e perigos da propria vida, ninguem lhe compra versao contraria ou contra a corrente.
Fosca-se !!!
a guerra nao é um desafio de futebol a acontecer naquele espaço em concreto, vedado e com todas as camaras de televisao.
Ainda nao se inventou uma guerra em que voem os helicopteros das televisoes a seguirem os misseis ate ao destino.
Nenhum ferido (ou melhor ainda para perceber, nenhum morto, soldado ou civil ) é transportado ao hospital com a arma que tinha consigo, muito menos se a arma é bazuca ou lança misseis.
Suponho que acompanha pelas televisoes e tal, ja viu algum civil ferido ser transportado em maca e com a arma tambem na maca ?
Enviar um comentário