segunda-feira, março 08, 2021

Sobre isto de sermos iguais

O mundo começa a mudar aos poucos quando, ainda crianças, percebemos diferenças. Parecem irrevelevantes à partida, mas são estranhas e, apesar de, logo ali, nos perguntarmos porquê, não nos resta outro remédio se não aceitar. É a menina que ajuda a mãe na lida da casa e não percebe porque é não se tenta ensinar os irmãos com o mesmo empenho, é o pedido encarecido para que se seja sempre mais bem-comportada, responsável e recatada, quando a bitola é tão mais lassa com os rapazes. É a proibição de sair à noite sem um adulto responsável, e nem sequer ponderar a ideia de chegar depois da hora estipulada, menos ainda com sinais visíveis de uma boa rodada. Pequenas diferenças que nos acompanham durante a vida. Quando começamos a trabalhar e reparamos que o  salário mais do que a nossa competência reflete o nosso género. É percebê-lo quando um colega acabado de chegar à empresa tem uma progressão profissional de um cometa, apesar de não dominar os princípios básicos do ofício e de estar a anos-luz de tudo o que as colegas fazem com uma pernas às costas. É perceber como a sociedade incentiva as mulheres a trabalharem até ao último momento quando engravidam, como se só assim fossem dignas de valor. É viver todos os dias como se em nenhum deles houvesse dores menstruais e fingir sempre que essa realidade não existe, como se fizesse parte dos livros de ficção científica, com todos os sacrifícios que isso implica. É anularmo-nos enquanto tentamos provar ao mundo que somos mães de excelência e boas profissionais, tudo ao mesmo tempo, naquilo que um dia vai ser encarado como uma das maiores atrocidades que se cometeram nesta insane luta por um papel de relevância na sociedade. É nunca dar parte de fraca, sobretudo junto dos homens, sob pena de sermos ainda mais desvalorizadas. É engolir os insultos, esconder as atrocidades e fingir que está tudo bem quando não está. Enquanto estas pequenas diferenças continuarem a fazer parte das nossas vidas, o caminho pela igualdade ainda não está percorrido. 

6 comentários:

Paulo Jorge disse...

EU SOU CONTRA A VIOLÊNCIA DOMÉSTICA!!! As mulheres deviam criar um partido das mulheres e para as mulheres, porque os politicos e a justiça representantes do Estado e das leis, são cumplices da injustiça e por isso não as representam nem as protegem. Não só neste como tambem noutros aspectos por ex. salários mais baixos que os dos homens. O homen quando casa julga de hora avante que a mulher é propriedade dele é um objecto ou um bem do qual ele pode dispor como ele quer e lhe apetece. Em muitas casas portuguesas a mulher não é mais que uma escrava e uma "prostituta", sempre ás ordens dos prazeres sexuais do marido. No aspecto de crimes e maus tratos ás mulheres, Portugal também está na cauda da Europa Ocidental. As quatro paredes são um Estado sem leis, onde elas não existem nem são cumpridas, onde rege a lei do mais forte, da violencia e da impunidade. Tudo aquilo que na rua seria um crime; Agressões fisicas e psicológicas e violações, dentro de casa é tolerado por toda a sociedade. "A vizinhança não se quer meter em sarilhos". Não há solidariedade não há revolta, não há pudor nem compaixão pelo sofrimento dos outros. Antes pelo contrário, culpabilização, gozo pelo azar alheio, satisfação maliciosa. Na Alemanha quem assiste ao crime e não ajuda, torna-se cumplice do crime e é severamente punido pela lei, pelas autoridades. E nos outros Países centrais e norte da Europa não é diferente. A emancipação, a luta pelos mesmos direitos que os homens, que tiveram inicio no fim do Século 19 na Europa Central e Norte, passáram ao lado de Portugal. O resultado triste e negativo está á vista. Portugal continua a ser uma vergonha, pior só mesmo os Países muçulmanos e africanos. Mas quem diria que a mudança deste estado de coisas está nas mãos das próprias mulheres mães? Deixem de mimar os vossos filhos, não os poupem nas lides da casa, não lhes façam a cama, não arrumem o quarto deles, não lhes deiem privilégios em relação á irmã, não façam deles Paxas, não cedam ás birras deles, não berrem com eles, não admitam má educação e indisciplina. Castigar uma criança não é gritar nem bater, é explicar-lhe o que é que está mal e no caso de ela repetir então sancionar, mas nunca bater nem gritar, quem o faz perde a razão. Quem bate nos filhos está a ensiná-los mais tarde a fazer o mesmo a bater nos filhos e na mulher. Respeitem os vossos filhos e ensinem-nos a respeitar os outros. Deiam amor e carinho aos vossos filhos e filhas mas não confundam isso com mimos. Não falem com as vossas crianças como se elas fossem umas patetinhas. A criança começa a aprender logo na barriga da mãe e quando nasce está atenta a tudo e ávida e ansiosa por saber e aprender. Todo o tempo que ela está acordada e não falamos com ela ou não interagimos com ela, é tempo perdido. Falem, expliquem, ensinem as vossas crianças, leiam livros ás vossas crianças. A chave de uma sociedade justa, respeitosa e dotada de valores morais está não só mas tambem na educação e numa justiça mais rigorosa, de tolerancia zero para com os infractores, senão vamos continuar a lamentar este triste estado de violencia doméstica.

Maria Celeste Pereira disse...

Bom dia.Talvez essa diferença no tratamento das mâes em relação aos filhos homens, seja o facto de os rapazes serem hoje em dia menos nas universidades, mais no uso de drogas mais fumadores mais alcoólicos e, mais sem abrigo.. Assim preconizo o mesmo tratamento para os rapazes e para as raparigas, pelos progenitores. Eu que ensinei o meu filho a ajudar nos trabalhos caseiros e tive sempre o olho em cima dele quando chegava a casa depois de sair à noite, e, talvez pela sorte e porque os tempos eram outros, tenho um filho, um pai e, um trabalhador excelente. Se fosse hoje não saía a noite sem ter idade razoàvel, e impunha mais regras como fiz à minha filha. Havia que aprender a tratar da casa, saber cozinha, não para ajudar, mas para dividir tarefas com a mulher...,

Maria Araújo disse...

Muito bom!

Anónimo disse...

Parece que alguns desconhecem ou dá jeito desconhecer a realidade. O mundo está longe de ser perfeito. Nem os homens são todos iguais. Mesmo numa empresa os homens não ganham todos o mesmo. E certamente saberá isto. E também saberá que quem tem as profissões mais duras são os homens.

E há coisas bem piores, alguns trocavam à vontade estas desigualdades por essas bem piores. E também engoliam esses ditos insultos.

Mas no fundo são quase todos iguais, fazem de conta que se preocupam com os outros, mas na verdade preocupam-se apenas com eles próprios.

Tri disse...

Parabéns por este desabafo.

Anónimo disse...

Causa-me alguma estranheza que ninguém pare dois minutos para pensar quando diz que as empresas pagam mais aos homens para os beneficiar: então os empresários estão em todo o mundo a perder rios de dinheiro para beneficiar incompetentes e ainda nenhum dos 7000000000 habitantes do mundo reparou nisso? Não parece credível, pois não? Afinal, o patronato ávido de lucro fácil prescinde de riqueza para beneficiar pessoas que nem sequer conhece apenas porque são homens…
Mas o patriarcado que domina o mundo é realmente muito incompetente: os homens suicidam-se mais do que as mulheres, sofrem mais acidentes de trabalho do que as mulheres, não têm profissões vedadas em virtude da sua perigosidade, são esmagadoramente maioritários nas prisões, vão esmagadoramente para as guerras, são esmagadoramente sem-abrigo, trabalham mais horas do que as mulheres, estão sujeitos a uma pressão social (dos homens?) para ter mais rendimento do que as mulheres passando a proscritos se não a obtiverem, não têm o tempo de antena para o cancro da próstata como têm as mulheres para o da mama… e podia continuar o dia todo.