segunda-feira, março 30, 2020

Estou cansada de estar em casa

Esta é aquela que me parece, para já, a segunda-feira mais longa da era covid-19. À novidade sucede o desânimo e, ali mesmo à espreita, algum desespero. Quando é que tudo isto acaba? Será aceitável acalentar a esperança de recuperar a normalidade dos dias? Por mais que tenha sido das primeiras a notar que os tempos que virão trazem mudança, percebo agora que não estou preparada para isso. Depois de três semanas fechada em casa, eu, que amo a vida caseira, tenho ânsias de qualquer coisa que nem sei bem definir. Sonho com uma praia escaldante e deserta, uma tarde a torrar ao sol, um dia sem notícias além do som das ondas a desfazerem-se na areia. Sonho com um escape que não existe. Estou cansada de estar em casa, assustada com as notícias e, nem vale a pena negá-lo, tenho medo do futuro. Como é que se sai daqui? 

13 comentários:

Anónimo disse...

Eu sonho voltar a sair e estar com os meus amigos, poder estar ao pé deles e tomar um bom café. Já estou há 2 semanas e meia em casa, sem sair, bebo café da máquina de casa, vou ajudando os meus pais e até tiro mais tempo para fazer limpeza, o que já é bom!

Ana a Abelha disse...

como é que se sai daqui? sentindo gratidão por todos aqueles que não têm o luxo de ficar em casa os médicos, enfermeiros, farmacêuticos, todos os que mantêm os supermercados e comércio local abertos, tantas, tantas pessoas que correm o risco de adoecer por estarem na frente de batalha, e mesmo assim saem de casa todos os dias por todos nós! e que têm bebés e filhos pequenos que podem ser contaminados.

Sofia disse...

É bom sonhar, acho que ainda mais nestas alturas , mas para já aceitemos o que é e tentemos adaptar-nos da melhor maneira. Porque não aprender algo novo? Cozinhar, falar uma língua, pintar, tocar guitarra… a internet encheu-se de cursos e formações gratuitos por estes dias e, estando confinados, é a altura ideal :)

belitaarainhadoscouratos disse...

Uma coisa que me ajuda a estar em teletrabalho e fechada em casa (este é o 20º dia) é pensar naqueles que gostariam de estar na minha posição e não o podem fazer, seja porque fazem parte dos que combatem o virus na linha da frente seja porque são os que nos permitem poder estar em casa sabendo que nos supermercados não falta nada do que nos é essencial.
Isto não é estar a ser moralista, também já estou fartinha de aqui estar, mas pensar nessas pessoas ajuda-me.

Sofia disse...

Nunca me farto de estar em casa, tenho dois filhos comigo que fazem os dias passarem a correr. O que me preocupa é não saber como será a minha vida e a de tantos que de um dia pró outro foram obrigados a encerrar os seus negócios por falta de encomendas, deixando de receber um cêntimo. Tento não pensar muito no futuro para não cair no medo antecipado de não saber como irei alimentar os meus filhos se esta situação perdurar muito mais tempo. Respeito imenso o trabalho dos profissionais de saúde e de todos aqueles que contribuem para não nos faltar bens de primeira necessidade contudo temo que a cura venha a ser pior do que a doença.

Anónimo disse...

Sofia, penso exatamente assim... :)

Anónimo disse...

Bom dia Vanita
Nestas alturas a saída é criar o seu Mundo interior.
Fala-lhe uma « especialista ».
Aos 20 anos emigrei para a Suiça e tive que enfrentar a solidão que doi.
Para mim foi esse o caminho. Temos capacidades dentro de nós que ignoramos. Na hora certa elas aparecem. É mágico !
Beijinhos!
Edite Correia

Jorge MR disse...

Arranja uma quinta ou uma horta que isso passa. Quem se habituou à "boa vida" e com "trabalhos" porreiros indo ao apartamento só para dormir, sofre. Cuidado com os walking dead no futuro próximo,

Etan Cohen disse...

Para si, envio este poema que, talvez ajude a perceber que não está sozinha no mundo da solidão!

AGORA

Agora que te surpreendes
Na ausência da turba de amigos que julgavas ter
Agora que evocas tanto o passado
Agora que te admiras como transpuseste todos os obstáculos que tiveste até então
Agora que vês que não consegues controlar a tua vida
Contempla, pois,
O voo do condor
A veloz correria dos antílopes na árida savana
O serpentear dos répteis por entre as ondulantes e precárias dunas
E vê como eles avançam sobre nós,
Sentindo a nossa humilde condição e fraqueza.
Cavalga esse equídeo musculado e fumegante
Que te poderá levar, outra vez, à leveza de uma vida
Mas, agora, meu irmão, meu amigo
Em plena peleja
De que vale ter tanto?
Vai, pois, cheirar as flores que se anunciam na, apesar de tudo, Primavera
Escutar as aves que se regozijam na entrega de um renovar da espécie
Usufruir do tempo que não tiveste, ou julgaste não ter,
Tempo que se esgota,
A cada instante,
Nesta prisão em que todos somos obrigados a viver.


Anónimo disse...

Pense que estaria muito mais cansada se tivesse que sair de casa para trabalhar num hospital com doentes infectados.

Anónimo disse...

eu que normalmente também sou muito caseira , também já estou cansada de não sair de casa! A última vez que coloquei os pés na rua foi a 12 de Março!

s o s disse...

se sai daqui...aguentando, dia a dia. Aparentemente assusta ate a possibilidade de enlouquecer, mas por outro lado, como acontece com outras dores, depois do "pico", a normalidade vai-se instalando. Nao se ve o fundo tunel, como nao se ve o cimo da serra nas curvas e contra curvas (explico .. sao sentimentos que so os caminheiros e os ciclistas conhecem ) , mas está lá, e lá chegaremos.

Esta é a unica e maior verdade : lá chegaremos.

Maria Castanha disse...

vamos sair esfarrapados mas vivos. e como humanos, com forças para lutar por dias melhores.