sábado, fevereiro 22, 2020

[caixa de rascunhos] O pulo de uma geração

[21 de setembro de 2019]


Já ninguém lê blogs. A frase sai com o som do desapontamento temperado de convicção. E, ao contrário do que possam pensar, não fui eu que a proferir. Ainda tentei argumentar, encontrar uma qualquer bóia de salvação, sem êxito. Já ninguém lê blogs. Mas, se assim é, vou ser optimista. Acredito que, apesar de embrutecidos ao nível da Idade Média, com níveis de ignorância medonhos, há qualquer coisa que nos impele para a leitura e discussão de ideias. Ainda há quem procure profundidade e conhecimento.


Mas, se primeiro vieram os blogs e em pouco tempo a palavra bloggers ganhou espaço, entretanto, o Instagram impôs-se e é ver movimentos nascer à volta desse outro conceito: os influencers e instagrammers. Sustentáveis, minimalistas e com novas filosofias de vida, crescem como cogumelos, com estratégias de comunicação e marketing bem pensadas e melhor aplicadas. Há toda uma panóplia de ideias e conceitos que, difundida ao alucinante ritmo dos stories de Instagram, nos fazem pensar que o que aconteceu há cinco ou dez anos foi há tanto tempo. 


Vivemos tempos novos - tão novos quanto os tempos novos que nos antecedem ao longo dos séculos. Os temas que fazem a agenda social e política, por muito que permaneçam os mesmos - têm uma linguagem própria e códigos sociais que refletem valores específicos do século XXI: o combate ao plástico, a promoção de uma vida sustentável e de consumo consciente, a adoção de novas formas de dieta, redução do consumo de carne e cuidado dos animais. Nada disto é novo, mas a abordagem é. 


 

2 comentários:

Maria Castanha disse...

Nós dias de hoje, Tudo passa de moda à velocidade da luz. Mas ainda há blogs. Valha-,nós isso.

Anónimo disse...

Eu continuo a ler blogs, muito menos do que há alguns anos, leio os poucos que não se transformaram em autênticas montras publicitárias e dos que não ousam pensar que descobriram a pólvora, todos os outros, que agora são a maioria e Instagram dispenso.