[7 de março de 2018]
Das ofertas de rosas aos jantares temáticos, passando pelas aulas de maquilhagem e as produções de gala, tudo isto nos humilha enquanto mulheres. Porque o dia da mulher não é isto. Aceitá-lo é anuir, de forma acéfala, com este jeito velado de desconstruir um dia que é de luta, que é necessário e que não pode ser vilipendiado como se de uma brincadeira se tratasse. Os jantares de amigas, os instastories e as prendas abafam a essência do que nos deve unir. De que serve a festa se no dia seguinte ainda há mulheres que se levantam à mesma hora que o marido, às cinco da manhã, para o ajudar a despachar-se antes de ir para o trabalho, como ouvi um dia destes no metro? De que servem as rosas, se todos os dias o jantar e a loiça lavada dependem da energia e trabalho da figura feminina da família? Sempre que alguém apregoa que “já há muitos homens que ajudam em casa”, morre uma andorinha. Qual ajudar? Os homens, tal como as mulheres, devem aprender desde cedo a passar a roupa a ferro, lavar a louça e fazer a cama. É uma questão de higiene pessoal e o tempo das criadas há muito que já lá vai. E isto, se nos cingirmos apenas ao nosso pequeno universo. O dia 8 de Março tem universal e há lutas bem mais prementes do que estas questões comezinhas do nosso dia-a-dia, mas é preciso que se perceba
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