terça-feira, dezembro 03, 2019

Sei o meu valor

Quando leio algumas das ideias que aqui fui escrevendo ao longo dos anos sinto saudades da pessoa que fui. Não de todas, fui várias em todos estes anos, mas desta final, mais interventiva, sem papas na língua, muito consciente do mundo que a rodeia e com ideias que revelam boa conduta moral. Não digo isto em forma de autoelogio. Até porque, a ser um elogio, seria em relação a essa pessoa do passado onde já não me reconheço totalmente. E é mesmo esse sentimento que me retira do marasmo de não escrever posts. Ninguém nos avisa disto. Ninguém nos diz que, depois de tudo, também nos cansamos e baixamos os braços, ninguém nos conta que há uma altura em que as coisas deixam de ter importância, ou, melhor explicado, deixamos de nos esforçar e optamos por um lugar à retaguarda. Não sei se é dos 40 (e picos), mas a verdade é que já não tenho paciência para guerras, lutas e combates. Sei, finalmente, o meu valor e estou pouco interessada para o que os outros pensam. Mesmo que doa, não me toca. Cada um é responsável pelas suas próprias atitudes e eu apenas me preocupo com as minhas.

6 comentários:

Flávio Gonçalves disse...

Também tenho lidado com o mesmo, se bem que sendo homem tenho atribuído tal à dita crise da meia idade. E por vezes ainda irrompe aqui o Flávio rebelde e revolucionário, a querer ir de t-shirt ofensiva e calções a um concerto punk em Novembro ou Dezembro... depois lembro-me de quão patético nos parecia quando viamos quarentões vestidos de putos rebeldes nos concertos quando tinhamos ainda os vintes... já tenho receio do que irei pensar e sentir quando chegar aos 50, 60 (mais que isso nenhum médico, nem eu, acredita que ultrapasse).

P. disse...

Revejo-me no "Sei, finalmente, o meu valor e estou pouco interessada para o que os outros pensam". e mais, gosto mais de quem sou hoje do que de quem era há uns anos.
Ainda tenho um lado combativo mas que vem ao de cima cada vez menos. E cada vez menos me apetece defender a minha opinião (mas isso tem mais a ver com o facto de achar que a maioria das pessoas é simplesmente parva).
bjs
Patrícia

Vera Tecla disse...

Sim! Também estou velha, cansada e menos ingénua. :-) E também já aprendi que ninguém muda ninguém. Não gosto mais de mim agora. Gosto é cada vez menos do mundo. Todos os dias me desfaço de mais uma ilusão. Os 40 bateram forte... Não estava nada à espera! E se o mundo não vai mudar, então deixa-me lá ir aproveitar!!! Até ao próximo post!

Vera Tecla disse...

Vai aos concertos e lembra-te dos Rollings Stones a dar concertos. O Mick Jagger está com 76... Acho k tem concertos marcados para 2020!!! Sim, eu sei...ele usa “maizena”. Mas tu vai aos concertos e procura o pessoal ainda mais velho do que tu! Vais encontrá-los no palco e no público! Flávio és um bom exemplo! Gostei!

Vagueando disse...

Escrever nem sempre é sinónimo de postar, partilhar, empreender uma luta, estar à frente ou na retaguarda.
É prazer é pensar, esquematizar, desfrutar, fazer a imaginação girar, guardar, meditar e eventualmente partilhar.

tdhabit disse...

Acho que o processo se chama maturidade. Percebemos que o tempo vai passando, e cada vez ligamos mais ao que pensamos que é verdadeiramente importante. Também estou nos 40’s .