O tecto do quarto gira ao encontro da tijoleira do chão, mesmo ali ao meu lado, na cama. Uma ameaça de vómito sobe pela espinha e o rubor chega junto da nuca, onde o pânico se mistura com o mal-estar e o medo de desmaiar. A angústia da dor aliada ao luto pela idade que me é roubada. Respiro tanto mais do que já vivi, sou uma velha enclausurada num corpo estragado que devia ser ainda jovem, um corpo que esconde o mal que me faz dia após dia. Sem amigos, isolada, sem energia ou capacidade de resposta, lamento a dor mas nunca baixo os braços. Quem não está não faz falta. Por mais que doa, nada dói mais que os espasmos que só encontram algum sossego na posição fetal onde, numa névoa agonizante, assisto ao encontro do tecto com a tijoleira do chão. São dias febris, duros e de muita solidão, estes em que sou grata por quem me ampara. Vale tudo por eles. Por quem não me esquece, por quem me ama.
3 comentários:
Olá,
não estou certo de ter lido bem o post, mas a ser doença, espero que passe rapidamente. A enviar um abraço virtual.
Obrigada, Pedro. À endometriose é uma “amiga” que terei sempre comigo. Há dias piores. Beijinhos.
Endometriose, também a tive. Sei bem o que está a sofrer e pior, é que todos os meses se repete.
Vai daqui um abraço.
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