Vejo fotos antigas desta escritora e o ar austero e de dama de ferro adivinha-se na dureza de um olhar que nem a lente atenua. Margaret Drabble foi uma mulher de convicções e ideias bem rígidas, consegue perceber-se. Mas não foi esta Margaret Drabble que esteve em Lisboa a promover o seu primeiro livro traduzido para português. À beira dos 80 anos, esta escritora inglesa rouba-nos o coração pela candura com que fala. Os olhos são meigos e tristes, bem diferentes do que se vê nas fotos de outros tempos. Margaret Drabble perdeu uma das filhas há pouco mais de ano e meio. Morreu de cancro e a sua partida apunhalou esta mãe com o pior dos pesadelos. Depois de se perder um filho, nada de pior pode acontecer. Um desgosto que afecta tantos pais que, sem hesitar, trocariam a vida pela dos filhos perdidos. Toda aquela arrogância e sede de agarrar o universo se desvanece na mais universal das perdas, humanizando quem a sente bem fininha a trespassar o coração. E se aprendêssemos a lição da candura, baixássemos as armas e déssemos o nosso melhor antes que um desses solavancos da vida nos atire borda fora sem aviso prévio?
Sem comentários:
Enviar um comentário