domingo, novembro 11, 2018

Não tive saudades de mim

Refiz caminhos, trajectos e hábitos de um passado recente. Subi escadas, virei no sentido correto quase de olhos fechados, levei a mão ao passe no momento certo e palmilhei lajes há muito conhecidas, entretanto deixadas esquecidas nesses recantos mágicos da memória de onde conseguimos resgatar a cúmplice rotina que confere aquele sempre tão aconchegante sentimento de pertença a algum lugar. Refiz caminhos mas não me emocionei nem me deixei contagiar pela nostalgia do que já não é. Quando nos anulamos durante tanto tempo, o que fica é o vazio, o nada que, de tão absurdamente ostensivo e incómodo, se dilui e desfaz sem deixar rasto assim que o conseguimos vencer. Refiz caminhos e não me revi. Não tive saudades de mim. 

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