quinta-feira, setembro 19, 2013
Custou mas foi!
É possível que a casa ainda cheire a tinta, que haja alguma poeira no ar e os móveis ainda não estejam todos no devido lugar, mas mudei de casa. Ao fim de quase sete anos, a Caixa dos Segredos trocou o Blogspot pelo agora adulto Sapo. Vamos ver como é que corre a mudança. Se me quiserem visitar, agora estou nesta morada: http://petit-secrets.blogs.sapo.pt/. Tragam bolinhos, que eu ofereço o chá.
"Dentro do Deserto", de José Luís Peixoto
Mais do que um segredo, este livro é uma mistura de sentimentos. Há tanto para dizer que é difícil organizar o pensamento e estruturar uma opinião concertada, com alguma utilidade. Este não é um livro normal, é uma obra de não-ficção, quase mascarada de reportagem mas impregnada do cunho pessoal daquele que é um dos escritores portugueses mais reconhecidos da actualidade. Começa aqui a confusão: José Luís Peixoto não é jornalista nem pretende ser. Está tudo muito bem, não se desse o facto de este ser um livro que aborda uma realidade a que muito poucos têm acesso: a necessidade de informação credível e fundamentada é uma constante, um imperativo. Infelizmente, são demasiadas as situações em que o autor não está à altura do que se propõe. E não está por sua culpa mas porque, além de limitado quer em termos materiais quer de movimentos, não tem - e isso é evidente - a formação necessária para dar ao leitor o que ele precisa enquanto o acompanha nesta viagem turística à Coreia do Norte.
Como escritor que é, José Luís Peixoto leva-nos com ele numa viagem de pouco mais de 200 páginas - impressas em folhas com uma gramagem bem superior ao usual - ao que o governo norte-coreano decidiu que podia ser mostrado a um grupo de cerca de 20 curiosos estrangeiros. Sem liberdade de movimentos, sem telemóvel, impedido de tirar fotografias, o autor descreve o que vê, mistura com o que sente e conta-nos o que viveu durante aqueles dias. E é uma surpresa descobrir que ainda se vive daquela forma algures no planeta Terra, dói adivinhar o que se esconde por detrás das fachadas apresentadas aos visitantes. Nenhuma dúvida quanto a isto. Neste momento, em pleno século XXI, existe um país onde o pior pesadelo de George Orwell, recriado em 1984, é uma realidade. Uma realidade. É chocante descobri-lo, é importante dar-lhe voz.
A mistura de sentimentos que o livro provoca surge aqui: durante a leitura de "Dentro do Deserto" a nossa identidade passa a ser a de José Luís Peixoto. Temos fome quando ele tem fome, distraímo-nos quando ele está aborrecido, deixamos de tomar atenção quando o assunto não o cativa. Também dançamos com ele, provamos comida que não queremos de todo comer, sofremos com as saudades dos seus filhos. Isto é mérito do escritor, que brinca com as palavras quando as notas que tirou durante a viagem lhe permitem essa divagação. E eis que estamos perante uma das notas menos positivas: é fácil perceber quando temos o bloco de notas de José Luís Peixoto nas mãos. É ainda mais fácil distinguir os momentos que são escritos de memória e quase que se sente o quanto ela nos escapa por entre os dedos. Se até estes sentimentos são uma boa experiência enquanto leitor? Claro que sim. Mas resultam em frustração quanto àquele que é um dos propósitos do livro: relatar uma realidade acessível a um número limitado de pessoas. O desinteresse do autor resulta em ausência de informação e, por consequência, em perda para o leitor.
É uma viagem que vale a pena fazer, é uma certeza. Mas fica o gosto amargo de se querer mais, de se esperar mais. Ainda assim, resta a convicção de que não saímos iguais deste livro. Não se pode ficar indiferente.
quarta-feira, setembro 18, 2013
Help, please
Embalada pelo entusiasmo de alguns de vocês, decidi tentar transferir o blog para o Sapo. E agora, como é que deixo aquilo bonitinho, com as letras do tamanho que quero, as fontes mais espectaculares e essas coisas todas giras que vejo nos outros blogs? Pensei que fosse tudo mais simples e estou a um passo de desistir...
segunda-feira, setembro 09, 2013
"O Amante Bilingue", de Juan Marsé
Por que é que ainda não escrevi nada sobre «O Amante Bilingue», de Juan Marsé. Porque ultimamente me tenho sentido com menos capacidade para transmitir o que cada livro me provoca e, ainda, porque este livro mexeu demasiado comigo. Não é a obra-prima que esperava mas, e esta foi mesmo uma experiência muito pessoal, conseguiu arrebatar-me de tal forma que o tinha de pousar ao fim de poucas páginas. Porque a esquizofrenia e bipolaridade da personagem principal - duas palavras que nunca são usadas - estão de tal forma latentes em todas as descrições, atitudes e pensamentos do protagonista, que me roubaram o ar e angustiaram bem mais do que umas simples letras impressas em folha de papel deveriam ter a capacidade de fazer.
Fez-me pensar em Carlos Ruiz Záfon, muito pelos traços que Barcelona trazem ao romance, e leva-me a crer que este será mais um dos escritores que, a espaço de tempo, vou querer revisitar. Não é a obra-prima que pensava, apenas porque o final não teve a apoteose que, já na recta final, me passou pela cabeça que seria possível. Ainda assim, aconselho vivamente, ciente de que nem todos sufocam com as doenças da mente como eu. A descobrir.
quinta-feira, setembro 05, 2013
Maioridade e maiorias
Agora que o Sapo tem 18 anos - parabéns, puto! - apercebo-me que grande parte dos blogues que leio estão inseridos nessa plataforma. Sempre resisti porque gosto desta coisa de estar tudo integrado na conta Google, de não ter de inserir passwords e outras coisinhas que, parecendo que não, fazem perder tempo. Mas pronto, há que dar oportunidades a todos. Mudar para o Sapo é uma boa ideia? Contem-me tudo, não me escondam nada.
segunda-feira, setembro 02, 2013
Mudei de vida
O desemprego trouxe mudança e, há um ano, abri uma porta nova. A porta da minha nova vida. Se é melhor ou pior do que a anterior, não sei responder. Sei que me faz feliz e que me dá segurança. É mais uma das minhas mil vidas e, como todas as outra, abraço-a sem medos. Só sei ser assim.
sábado, agosto 31, 2013
Tu tens um medo:
Acabar.
Não vês que acabas todo o dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo o dia.
No amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.
E então serás eterno.
Cecília Meireles
quarta-feira, agosto 28, 2013
Manuela Moura Guedes
Boa noite, o meu nome é Manuela Moura Guedes e este é o "Quem Quer Ser Milionário". Há muito que uma notícia não me deixava tão animada. Digam o que disserem, não sem alguma razão em determinados tópicos, Manuela Moura Guedes é uma mulher de garra e a sua determinação faz falta à televisão portuguesa. Como me disse alguém de quem gosto muito, Manuela Moura Guedes é o nosso Will McAvoy do Newsroom. Quem mais, no jornalismo português reuniu esta capacidade de liderança de uma equipa e de confronto dos factos? Que se discuta o estilo, que se questione a orientação política ou a embirração pessoal com determinada figuras mas, caramba, que nunca se perca o foco de levar informação a casa dos telespecatdores. Há quanto tempo não se fazem revelações sérias e pertinentes sobre realidades escondidas nos meandros políticos e económicos de Portugal? Isso daria uma outra conversa.
Mesmo que já não seja no papel de jornalista, o regresso de Manuela Moura Guedes pela porta do entretenimento só me faz tirar-lhe ainda mais o chapéu. Seja a vender detergentes, como deputada ou a apresentar concursos, Manuela Moura Guedes não se verga. Faz falta mais fibra desta.
sexta-feira, agosto 23, 2013
quinta-feira, agosto 22, 2013
A ficção imita a realidade?
Bem sei que muitos de vocês não vêem a série Newsroom, mas é impossível não pensar nela quando se sabe do ataque com gás sarin que terá ocorrido na Síria no decorrer da guerra civil. Quem já viu a segunda temporada da série não pode deixar de se perguntar: a ficção imita a realidade? Será apenas coincidência? As minhas antenas de conspiração estão em alerta máximo.
quarta-feira, agosto 21, 2013
Das minhas verdades e teorias
É impossível conciliar uma vida citadina plena e ser uma dona de casa impecável. Simplesmente não dá para gerir todas as solicitações do momento - esplanadas, restaurantes, locais de culto e actividades-que-ainda-há-dois-meses-ninguém-ligava-peva-mas-agora-são-tão-impreteríveis-que-não-estar-por-dentro-nos-cola-o-título-de-parolo-na-testa - com a organização das refeições, despensa, roupa-lavada-pendurada-e-passada-a-ferro e a não menos exigente limpeza-cheira-bem de todas as divisões do lar. Ah, e quando a esta equação se junta a vida profissional de sucesso indiscutível? Impossível. E quem diz que o faz com uma perna às costas das duas, três: mente com quantos dentes tem, paga a uma empregada às escondidas e nega a sua existência até à morte ou... É a Carrie do Sexo e a Cidade e, convenhamos, ninguém quer ser aquela criatura que não se aguenta de tão chata que é.
segunda-feira, agosto 19, 2013
Por falar em novelas
Então vocês não têm acompanhado a troca de galhardetes de alta finura entre Pipoco Mais Salgado e o mui excelso J. Rentes de Carvalho no blog do primeiro? Aquilo é gente que sabe escrever e usar as palavras. Que bem que soube, que bem que soube. Há muito - se é que alguma vez se chegou a este nível - que não tirava tanto prazer da blogoesfera. Inesperado, em bom.
Oiçam que eu não duro sempre
Se estão a ressacar de séries de televisão e não sabem com que se entreter, mandem-se a duas das melhores que por aí andam mas que, por não serem policiais ou de zombies ou qualquer coisa assim, são menos faladas. A saber: Newsroom e New Girl. Quer o bailinho de interpretação de Jeff Daniels ou Emily Mortimer naquela que é série que melhor retrata os bastidores do jornalismo televisivo, quer os lindos olhos e frescura de Zooey Deschanel, bem como a química com Jake Johnson, sem esquecer o hilariante Max Greenfield, garantem horas de boa disposição e alegria. Garantidas. Não digo que não vos ensino nada.
Já foram hoje à Farmácia?
A novela da vida real
Se o namoro extra-conjugal de Fernando Seara já dura há ano e meio porque é que o divórcio enche as revistas a poucos meses das autárquicas? Será vingança da rainha da silly season, Judite de Sousa?
quarta-feira, agosto 14, 2013
Bitolas
Fernanda Câncio posta a foto de Judite de Sousa num grupo de FB, fechado para mais de cinco mil membros, e comenta que não gosta de ver aquela imagem. Muitos comentários, insinuações e acusações mútuas mais à frente - é um grupo que se alimenta desta peculiar forma de estar -, mesmo muitos mais, a ex-namorada do ex-Primeiro Ministro, explica que o que está mal na imagem é a placa com referência ao local onde a foto foi tirada. O rol de lições de jornalismo mantém-se e enche a caixa com comentários que chegariam para fechar uma edição de jornal diário. Na verdade, nos entretantos, há mesmo uma edição que sai para as bancas, pasme-se, com chamada de capa para a posição de Fernanda Câncio, ainda se lembra de quem estamos a falar? A ex-namorada de Sócrates. Pois, essa. Para os menos avisados, também é jornalista. Como facilmente se adivinha, se já não era pequeno, o frenesim assumiu proporções gigantescas, tanto ali como um pouco por todas as redacções deste País, porque se há matéria que faz mexer os nossos profissionais, é uma boa picardia que os mais sisudos apelidam de "cor-de-rosa", sempre com o adequado ar de desprezo, não haja confusões. Ora a discussão já se alongava em demasiadas e exaustivas horas quando a Nandinha - a esta altura já temos esta liberdade, com certeza - se lembra de fazer o contraditório numa coluna de opinião. Pois que a culpa é toda dos paparazzi, dessa gente que não olha a escrúpulos para cometer crimes a que chama de informação. Pois que o mundo está perdido, porque ninguém faz nada para travar esta calamidade isenta de moral e que é causa da podridão em que o jornalismo se está a transformar. Ora bem, é assim mesmo: confundir, baralhar, misturar tudo, apontar o dedo para o lado mais fácil e desviar atenções. Como em tudo na vida, o cinzento impera, bem sei, não há preto e branco, mas as costas largas do "cor-de-rosa" e dos paparazzi não chegam para tudo, lamento dizer. Por muito que seja lamentável, se uma figura pública critica outra nas redes sociais - mesmo que seja num grupo fechado com mais de cinco mil pessoas - isso é notícia. Tem valor-notícia e ignorá-lo é apenas absurdo. Mas é assim no mundo do social - temos pena, mas é do que se trata - como nos meandros da política ou do desporto. Porquê? Porque, quer se goste ou não, foi o assunto do dia. Acusar paparazzi e desviar atenções porque o "cor-de-rosa" procura notícias de forma "criminosa" e não convencional é apenas desonesto. Como é que surgem as cachas no jornalismo político ou de qualquer outra cor? É durante as conferências de imprensa ou será em conversas que existem por debaixo da mesa e nos levam, com investigação e cruzamento de fontes, à história que faz a notícia. Estamos na era da informação, todos sabemos como é que isto se faz, atirar com areia para os olhos é, no mínimo, um tiro no pé. É tudo tão óbvio que se torna ridículo. São os novos tempos, estamos mais expostos e a ilusão deixou de ser aceitável. Está à vista.
Arcaboiço
Assumir que não se preenche os requisitos para determinado papel é sinal de lucidez ou de fraqueza? Hoje declinei um convite para escrever num desses blogues cheios de leitores que ocupam os lugares cimeiros da tabela dos mais lidos. Se me arrependo? Só de não estar à altura do desafio. Isso ou, de cada vez mais, ter pouca paciência para grandes conversas e debates sobre coisa nenhuma. Mudei tanto.
Avulsos
A Judite de Sousa quer e já pediu o divórcio. Marcelo Rebelo de Sousa deu-lhe línguas de gato em directo num programa semanal de informação política. Fernanda Câncio, que surge muito bem enquadrada no contexto porque é ex-namorada de um ex-Primeiro Ministro, não gostou da foto de Judite de Sousa e escreveu uma crónica a dizê-lo. E eu estou com a birra porque, em poucos minutos, passei de menina dos telefones a criança. Quem me dá um gelado?
quinta-feira, agosto 08, 2013
Há coisas que me fodem
Foram as pessoas, são as pessoas, que deram e dão dimensão a este blog, agora reduzido a uma ínfima parte do que já foi. Parte do que sou passou por aqui e isso é indissociável das pessoas com quem me cruzei. É terrível que em pouco menos de sete dias junte a alegria de conhecer pessoalmente uma dessas verdadeiras bloggers de outrora ao balde de água fria que é saber que outra delas - a primeira que me fez vencer o medo de marcar um encontro - esteja a passar por um daqueles momentos mais duros com que nos podemos deparar ao longo da vida. Muita força, sei que és uma vencedora.
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