segunda-feira, fevereiro 28, 2011

A cereja em cima do bolo

Anne dá tampa ao James.

Isto é como tudo, tem de ser doseado

Tal como as empresas começam agora a perceber que estar nas redes sociais não é sinónimo de entupir os canais com notícias e postagens e que é preciso coerência, pertinência e capacidade de se distinguir no mar de informação que existe, também o resto do mundo precisa de aprender a tirar partido desta nova forma de estar. É verdade que os diretos chamam à interação dos telespectadores através das redes sociais e tirar partido disso é uma boa aposta. Mas não nos distraiam. Não se distraiam. Se ao princípio achei piada à presença de James Franco e Anne Hathaway no Twitter ao mesmo tempo que apresentavam os Óscares, rapidamente percebi que, tal como eu, não estavam em lado nenhum, estando ao mesmo lado todo o tempo, mais ele do que ela. Em última análise, refletiu-se na falta de ritmo da gala. Se há uma lição a tirar disto: é manter o foco no que é importante. Aqui era a gala dos Óscares.

Agridoce

Amo o Colin Firth de paixão há muito, muito tempo. Acho justíssimo que seja distinguido pela Academia, há muito que o merecia. O papel em "Discurso do Rei" revela o enormíssimo actor em que se transformou, num exercício de representação que facilmente poderia cair no ridículo. Ainda assim, preferia que tivesse sido o Javier Bardem a levar a estátua para casa porque, em "Biutiful", leva o filme às costas. Colin Firth diverte-se com um desafio extraordinário.

O momento

Ver a Natalie Portman ser coroada pelo papel da sua carreira enquanto se prepara para o papel da sua vida. Lindo.

Grande bocejo

Se tiveram de deixar a cerimónia a meio porque hoje é dia de trabalho, não estejam tristes. Não há um momento a realçar. Toda a noite foi de adormecer. Quer dizer, ainda faltam entregar três prémios mas duvido que a coisa se torne agora mais entusiasmante. É pena.

The F word

Os puristas estão chocados. Melissa Leo disse Fuck depois de ganhar o Óscar. Coitada, já teve de pedir desculpa.

Ela roubou-te a cena na gala

Mas continuas lindo de morrer!

Fenómenos

Depois dos que imitam os jogadores de futebol no status do facebook, na terceira pessoa, seguem-se os bloggers que falam dos actores e atrizes dos Óscares na primeira pessoa. Crises de identidade.

domingo, fevereiro 27, 2011

Até agora nunca ninguém tinha comido cereais ao domingo de manhã...!

Há modas que são rídiculas. Esta do brunch, que dá o mote para uma "notícia" na SIC, é uma delas. Para além de ser fashion, o brunch não passa disso mesmo. Ninguém faz um brunch em casa. Brunch que é brunch implica um ritual que inclui um restaurante da moda. Implica ver e ser visto. Implica uma postura que se paga. Porque ovos mexidos com café, cereais, iogurte e fruta é coisa que nunca ninguém comeu em casa em dias de preguiça. É um comportamento moderno que tem de ser mostrado. E sim, é uma ideia gira. Mas é marketing.

Em dia de Óscares...

Aqui ficam os grandes vencedores dos Razzies da noite passada:
  • "The Last Airbend" arrecada mais estatuetas, incluindo uma para o giraço do Jackson Rathbone, que tem o azar de também fazer parte do elenco do filme mais nomeado para os prémios que ninguém quer: "Twilight - Eclipse". Curiosamente, a saga dos vampiros sai ilesa!
  • "The Sex & the City 2" foi o segundo filme mais chamado ao palco, com destaque para as protagonistas: Sarah Jessica Parker, Kim Cattrall, Cynthia Nixon e Kristen Davis.
  • Ashton Kutcher foi distinguido pelo [mau] desempenho em dois filmes: "Killers" e "Valentine's Day".
  • Jessica Alba não convence em "Machete".

sábado, fevereiro 26, 2011

Decisões, decisões

Como é que sabemos que é altura certa de dar determinado passo? Ou que esse é o passo a dar? Sempre pesei prós e contras na balança antes de tomar qualquer decisão, mas não há fórmulas que nos indiquem qual o caminho certo. Para uma pessoa indecisa como eu, só mesmo a exclusão de partes dá o alento necessário para assumir uma escolha. É quase como se, ponderadas todas as alternativas, aquela fosse a única decisão correcta porque, perante todas as outras, é a que oferece melhor relação de permissas, sejam elas quais forem. O problema surge quando as opções são mais vastas, quando dependem de outras opções que serão determinantes para definir a melhor. Antes de saber qual a escolha certa, é preciso definir o que se quer. E como é que isso se faz? Como é que temos coragem de nos comprometermos com uma escolha tão determinante assim? Às vezes acho que era tão mais fácil se não houvesse escolha...

Foi há quatro anos

sexta-feira, fevereiro 25, 2011

Dias levados da breca

Começou logo pela meia-noite. Saída de um serviço, a acusar o cansaço de muitos meses, andei uma hora à procura de lugar para o carro. Noutras situações continuaria a fazê-lo mas desta vez cedi. Estreei-me no "hotel para carros", que é como quem diz, paguei a uma oficina para o deixar lá durante umas horas. Bem-disposta, animada com o sol fui para o trabalho. É quando percebo que o gravador onde tinha todo o trabalho da noite deu erro. Caput. Ter ido ao serviço ou ter ficado em casa, teria sido igual. Perdi tudo, tive de arranjar forma de solucionar a situação. Não me perguntem como, nem eu sei bem. Quando pensava que o pior tinha passado, já calmamente a jantar com um grupo de amigas percebo que uma delas só pode chegar mais tarde porque está no serviço que eu tenho agendado... para o dia seguinte! Deixo o prato a meio - literalmente -, apanho um táxi, consigo chegar a tempo mas o objecto de trabalho fugiu antes de falar com quem quer que seja. Foi em vão que deixei a picanha a meio mas provei que estou lá quando é preciso ou quando alguém mete àgua. Consegui voltar para as minhas amigas. Mas já passava da meia-noite.

Não me sai da cabeça

E só por isso já conquistou um lugar no meu top de favoritos. Boa estreia, para quem nunca tinha lido nada deste senhor.

quinta-feira, fevereiro 24, 2011

Mesa dos sonhos


Ao lado do homem vou crescendo

Defendo-me da morte quando dou
Meu corpo ao seu desejo violento
E lhe devoro o corpo lentamente

Mesa dos sonhos no meu corpo vivem
Todas as formas e começam
Todas as vidas

Ao lado do homem vou crescendo

E defendo-me da morte povoando
de novos sonhos a vida.

Do grande, Alexandre O'Neill

terça-feira, fevereiro 22, 2011

Chafurdice

Escrever um livro sobre os anos em que foi violentada e maltratada não é, de forma alguma, uma expiação. Não me convencem disso. E quem quer que esteja a aconselhar Natascha Kampusch do contrário, está a fazer mal. Da mesma forma que, publicar fotos do momento em que o avó matou o pai da neta, seguindo de divulgação amplamente publicitada do mesmo vídeo também não é notícia. Chama-se chafurdar na merda, desculpem-me os mais susceptíveis. Não sei bem onde pretendem chegar. Mas também não me interessa.

segunda-feira, fevereiro 21, 2011

Amanhã já não se lembram #2

Katty Perry foi ao Finalmente.

Amanhã já nao se lembram #1

Hoje todos comentam: egípcio decidiu chamar a filha recém-nascida de Facebook.

Coincidência

Estreiam todos esta semana.

Do cansaço

Lembro-me que no Natal de 2009 tirei uma semana de férias. Dividida entre o calor da lareira, os filmes da televisão e os doces da época, ganhei energia para regressar ao trabalho. Lembro-me que há um ano estive de baixa, depois de ter sido operada. Só quem nunca esteve de baixa, depois de uma operação, é que pode achar que estes dias são de férias. Ainda assim, foram dias de cama, a recuperar ânimo para voltar à labuta.
Lembro-me que devia ter entrado de férias quando o local onde trabalhava se eclipsou. Sumiu-se e, em vez de me deixar com tempo indeterminado para gozar pela frente, fez-me entrar numa corrida desenfreada para recuperar a posição perdida: a de empregada. Consegui.
Lembro-me que colei fins-de-semana a semanas e folgas ao trabalho. Dei mais que o litro. Passei o verão sozinha numa cidade vazia, no trajecto casa-trabalho-casa. Com a rentrée alinhei lado-a-lado com os que estavam fresquinhos das férias. Prescindi de folgas, de fins-de-semana e estive presente. O esforço pedido para a época caótica do Natal - ainda se lembram do anterior? - e passagem-de-ano não ficou sem resposta. Depois foi necessário aguentar porque o início de ano é difícil. E agora perguntam-me porque estou a rebentar. Não me lembro.

sábado, fevereiro 19, 2011

Finalmente vi o filme

Mais do que Phillip Morris, apaixonei-me pelo Ewan McGregor. Grande papel.

Nem ouvi mais nada...

José Sócrates acabou de dizer na televisão:

"Aquilo que é dito hoje na imprensa é verdade". Não fiquei em condições de ouvir o resto.

quinta-feira, fevereiro 17, 2011

Pronto, já tenho um post com a Natalie Portman!

Com algum atraso em relação à blogoesfera, acabei de assistir ao "Cisne Negro". E o que dizer? Pois, parece que faço parte do grupo que sai da sala sem saber se gosta ou não do filme mas, lamento dizer, pende mais para o lado negativo, embora não desgoste. Estas indecisões são naturais numa Balança, não se assustem. Gostei da interpretação da pequena Natalie Portman - como não? - e estive particularmente atenta ao desempenho do pai da criança, sobretudo no momento que ela destacou durante a entrega do Golden Globe. Ainda assim, fica a sensação de que falta um qualquer ingrediente. Se salgado ou picante, ainda não decidi, mas predomina uma ausência. Só ainda não percebi se é mesmo esse o objetivo.

PS - Lembram-se de quando a Pipoca, a mais doce neste caso, se queixava da cara das funcionárias sempre que pedia bilhete para uma pessoa apenas? Hoje lembrei-me desses comentários no momento certo e, reparei, não fui contemplada com nenhum desses esgares. Aliás, feito o exercício, percebo que nunca senti esse tipo de exclusão... 

quarta-feira, fevereiro 16, 2011

segunda-feira, fevereiro 14, 2011

Um bombom


Ler este relato depois de assistir ao documentário "José e Pilar" fez-me sentir como se estivesse sentada ao lado de José Saramago que, lentamente, de acordo com a vontade, o passar do tempo e a memória, me ia contando uma história. Tal como se conta uma história, com divagações, com apontamentos, por vezes até sem nexo.

Esta é de valor reconhecido

Acabei de ler a palavra puta, escrita pelas mãos de Saramago. Soa a nobre.

Happy Valentine's Day

domingo, fevereiro 13, 2011

O ovo ou a Gagalinha?

Estava agora a ver o vídeo da Lady Gaga a chegar aos Grammys, no Facebook. Ao mesmo tempo, três pessoas comentaram a forma como ela escolheu chamar a atenção desta vez. Três pessoas, em Portugal, através do Facebook, manifestaram-se em relação à chegada da Lady Gaga à red carpet. Ela ainda não saiu sequer do ovo, ainda não deu o espectáculo previsto. Chegou lá apenas e já toda a gente sabe o que vai fazer, mais do que isso, já chovem opiniões. Acabou-se o efeito supresa como o concebemos. Serve de teaser, mas também nos mostra que já nada pode ser feito como antes. Porque tudo corre à velocidade da luz. A gala, só começa daqui a uma hora...

terça-feira, fevereiro 08, 2011

O cinismo, essa arte por dominar


É fingir que não se vê e sorrir, apenas por fora. É dar palmadinhas nas costas enquanto se torce o nariz e se puxa o tapete. É a luta pela sobrevivência num habitat cada vez mais artificial. É o "saber viver" na base de relações que são tudo menos verdadeiras. É dizer com leveza e despreendimento o que mais nos toca no coração. É mostrar o que não se sente e mascarar o que se pensa em prol de algo maior. É ter ganas de vomitar só de pensar em anular-me desta forma...

domingo, fevereiro 06, 2011

A nomeação cai-lhe tão bem...


De Melhor Ator, especifico. Já agora, sabem porque é que o filme se chama Biutiful? Porque é estrangeiro e e eles não sabem falar inglés. Piadinha parva, eu sei...

Já que falamos em defeitos

Hoje é um daqueles dias em que não gosto de mim...

Aos olhos de quem vê


"Somos, cada vez mais, os defeitos que temos, não as qualidades"

A Viagem do Elefante

sábado, fevereiro 05, 2011

Prodígio

Com uma voz pequenina e meiga, um menino escondido atrás de um hamburguer e batatas fritas pergunta à mãe: "um u ao pé de um q não se lê?"

sexta-feira, fevereiro 04, 2011

A dúvida mantém-se

Onde raio reside a felicidade? Na ternura de um amor sereno, mais maduro. Na brutalidade de um mundo que se vira do avesso e rouba o chão dos pés. Na alegria controlada de estrear uma nova fase da vida. Na convicção de uma aposta profissional que não completa. Em que momento nos encontramos?

quarta-feira, fevereiro 02, 2011

Coisas que me irritam*

Pessoas que vêm ao meu computador explicar qualquer coisa e, para isso, precisam de desarrumar tudo e por à maneira delas. Também olho com ternura para os menos sabedores que precisam de fechar janela a janela para chegar ao desktop - não conhecem o atalho - e pelo meio comentam o que vêem e diminuem. Ai, os nervos!

* também me apeteceu usar este título ;)

Hoje já aprendi uma coisa nova

Aquilo de confundir a esquerda com a direita, no matter what, tem um nome. Chama-se ambilevidade, li no blog da Mulher Certa. E sim, sofro deste mal, desde sempre.

Revolução dos cliques

Somos insatisfeitos, contestatários, inconformados e não nos calamos. Damos voz aos nossos direitos, fazemos valer a nossa luta e barafustamos. Ninguém nos cala. É ver o registo acalorado, quase em fúria, dia após dia, a subir de tom. Chega a temer-se uma revolução como a que nos deu a democracia, em 1974. Melhor, porque estamos mais informados, sabemos o que queremos e não nos deixamos levar por um os dois argumentos mal esgrimidos. Movemo-nos em ondas de provocação de fazer medo a quem se atreva a fazer-nos frente. Somos disciplinados como um exército de alta patente. Tudo tem lugar. As causas pessoais, religiosas, profissionais e até dos animais. Temos opiniões convictas e damos a cara por elas. Em segundos, que não duram mais que o tempo de um clique. Segundos que perduram por um dia, dois no máximo, porque são segundos elevados ao número de amigos que se solidariza com o gesto. Naquele segundo. Um segundo perigoso que pode desencadear uma revolução, atenção. Não se desse o caso de, logo a seguir, cair uma música que era mesmo o que estava a ouvir mas não terminei porque entretanto saiu um estudo que fala dos homens infiéis e as mulheres sem celulite e, pelo meio, tive de partilhar a nova confirmação para os festivais de verão. É que nisto, já se sabe, quem chega primeiro é rei. É preciso marcar uma posição, com convicção. Essa mesma, que me faz lembrar qualquer coisa do início do texto. Já não sei bem o que era mas, entretanto faz-se tarde, amanhã é dia de trabalho. Seja o que for, não ficará esquecido. Tenho a certeza. Vamos longe com isto da revolução da informação, ainda não tinham percebido?

terça-feira, fevereiro 01, 2011

Não pode haver desgosto...


Mas, conquanto não pode haver desgosto
Onde esperança falta, lá me esconde
Amor um mal, que mata e não se vê;
Que dias há que na alma me tem posto
Um não sei quê, que nasce não sei onde,
Vem não sei como, e dói não sei porquê.

Luís de Camões

segunda-feira, janeiro 31, 2011

Não me canso

Há anos que sei as falas de cor. Nem por isso deixo de me emocionar. Conseguem perceber de que filme falo?
  • "Man, what are you doing with a gun in space?"
  • "Have you ever heard of Evel Knievel?  I never saw Star Wars"
  • "Houston, you have a problem. You see, I promised my little girl that I'd be comin' home. Now I don't know what you people are doing down there, but we've got a hole to dig up here!"
  • "Miss Stamper? Colonel Willie Sharp, United States Airforce, ma'am. Requesting permission to shake the hand of the daughter of the bravest man I've ever met"
  • "God, I hate knowing everything"
  • "You have not told them yet. That is my father up there!"
  • "AJ, I got just five words for you: Damn glad to see you boy! That's six words"
Há mais, muitas mais....

quinta-feira, janeiro 27, 2011

Vamos pegar o boi pelos cornos!

Digam-me lá, quais são os melhores tratamentos para eliminar a celulite e em que clínicas se fazem?

Genial

Ou muito me engano, ou Saramago usa a viagem do elefante para revisitar obras suas. E eu cheguei agora ao ensaio sobre a cegueira e reencontrei o cão das lágrimas. Pela mão de um escritor que não tem pudor de rir de si mesmo. Ainda faltam muito anos até que se consiga entender Saramago na sua amplitude. Único.

domingo, janeiro 23, 2011

Andava eu na escola primária...

Quando Cavaco Silva foi eleito como Primeiro-Ministro. Também nessa altura, usava o chavão da aposta na juventude, na geração a quem queria entregar o futuro do país. Mais de 20 anos depois, reeleito como Presidente da República, continua com o mesmo discurso. Só que, pelo meio, há uma geração que cresceu e se tornou adulta, essa mesma, em quem o então Primeiro-Ministro queria apostar. Uma geração que anda à deriva, entre recibos verdes, a casa dos pais e os centros de emprego. Uma geração hipotecada, sem rumo certo e pouca esperança no futuro imediato. Se serviu de lição? A resposta está aí, algures entre os números da abstenção e a reeleição do principal responsável pelo estado a que o país chegou.

Está-se melhor em casa, não é?

Os números da abstenção envergonham-me a cada eleição. Nestas alturas tenho ganas de ditadora porque, infelizmente, há quem não compreenda o privilégio de se poder votar. Lamentável.

quarta-feira, janeiro 19, 2011

Não mudo uma vírgula

Encontrei este texto num comentário a uma notícia do i. É assinado por Cláudio Peres. Está aqui tudo.

Não sou o autor, mas acho importante para refletir: Toda a gente tem sonhos. E segredos. E pecados. Quem não sonha está morto; quem não se resguarda é tonto; quem não peca é santo. Sonhos, segredos e pecados não são crime. O problema está na fronteira que determina as respectivas definições. E, mais importante, na maturidade e no bom-senso necessários para suportar cada um deles. Como em tudo na vida, de vez em quando é preciso colocar o pé no travão.Renato Seabra, 21 anos, finalista de Ciências do Desporto, em Coimbra, tinha um sonho: ser manequim, provavelmente internacional. Ambição legítima. Candidatou-se a um concurso televisivo, que a televisão parece ser o único veículo reconhecido como eficaz pela geração à qual pertence. Ficou em segundo lugar. A família há-de ter ficado feliz. Os amigos também. Ninguém questionou. Ninguém accionou o travão. Neste tempo, nada parece satisfazer mais as pessoas do que exibir o seu talento, seja ele qual for, na televisão - e a televisão dá para tudo: para cantar, dançar, representar, cozinhar, emagrecer ou só para simular o quotidiano dentro de uma jaula. Vale tudo. Daqui a cem ou duzentos anos, há-de falar-se deste tempo como um tempo muito sinistro.Mas nem a televisão, com toda a sua pressa, parece ter conseguido responder à urgência do sonho de Renato. E, por isso, talvez ele tivesse também um segredo. Que mal teria aproximar-se de Carlos Castro, 65 anos, velho colunista do suposto glamour nacional a quem os transeuntes desse suposto glamour agradeciam a rampa de lançamento, se com isso conseguisse acelerar a projecção da sua carreira? Aparentemente, não teria mal nenhum. Se tivesse tido travão. Maturidade e bom senso. E verdade, já agora, que é coisa que também começa a escassear. Ou alguém por ele. Se tivesse havido uma mãe ou um pai que tivesse pensado duas vezes antes de autorizar o filho a viajar (para Madrid, Londres e Nova Iorque) com aquele homem, por muito conhecido que fosse. Com aquele ou com qualquer outro. Mas os holofotes cegam quem nos holofotes quer ser feliz.E foi seguramente um Renato cego, independentemente de ser homo ou heterossexual, que matou outro homem, também ele cego, Carlos Castro. O primeiro, cego pela ambição; o segundo, cego pela devoção de um rapaz mais novo. Num crime que se presta a tanto folclore - as piadas ainda não começaram, mas não hão-de tardar -, o que mais me choca não é a morte, por monstruosa que tenha sido. O que verdadeiramente me choca é disponibilidade mental que as pessoas cada vez mais parecem ter para permutar a honra pela desonra. Mesmo que para sempre consigam manter a desonra em segredo. E, neste caso, não sei quem a permutou primeiro: se o homem que não teve coragem para se afastar de um miúdo sequioso de fama, preferindo acreditar que este o amava; se o miúdo, perigosíssima e preocupante amostra de uma geração, que é capaz de se violentar ao ponto de fingir amar alguém só para daí retirar benefício. Choca-me ainda mais a quantidade de histórias destas que hão-de pulular por aí sem que delas tenhamos conhecimento só porque não tiveram um desfecho trágico. E choca-me, finalmente, que a comunicação social, tão empenhada que está em abordar o assunto com pinças e pruridos, esteja a passar ao lado do assunto que mais interessa: quem é responsável pela desintegração dos valores desta gente, que é muita, para quem a vida só é vida se for mediática? E quem os protege?Do sonho e do segredo de Renato, restou-lhe apenas o pecado. Capital. Poderia ser mais triste?

domingo, janeiro 16, 2011

A queda de um ídolo

Talvez o título seja exagerado, que é, mas foi o sentimento dominante para quem vibrou de antecipação pela publicação de "O Jogo do Anjo", o sucessor de "A Sombra do Vento", o primeiro livro de Carlos Ruiz Zafón que li e um dos meus favoritos de sempre. Se com o segundo volume da série de quatro que seguem a história iniciada com "A Sombra do Vento" já tinha ficado desiludida com a sensação de estar a ler o mesmo romance, este "Marina" - que foi escrito antes - deixa-me a certeza de que realmente nada muda. Tal como Dan Brown, que usa a mesma fórmula em todos os livros que escreve, também este escritor catalão segue uma linha estrutural semelhante nos vários livros. O romance centrado numa criança/adolescente, que se apaixona por uma jovem de beleza impar - normalmente vestida de branco e muito solitária -, através de quem é guiado na investigação de um crime macabro ocorrido muitos anos antes, que o faz deambular por casarões e ruelas numa Barcelona escondida, imunda. Há sempre um fogo, paixões arrebatadoras e segredos revelados. A magia do "Cemitério dos Livros" não existe neste livro que, tenho a certeza, me encheria as medidas se fosse o primeiro. Não é e, temo, talvez me tenha tirado a coragem de ler os dois restantes dessa colecção de quatro. Ainda assim, é um bom livro.

Então, o glamour e as purpurinas?

"Espalharam as cinzas para dentro da grelha de um respiradouro do metropolitano, em Times Square". Seriously?

Será que nem no seu último desejo, Carlos Castro é compreendido?

É mesmo assim...

Não podia ser mais adequado ao momento. Numa altura em que se discute quem é a vítima ou não no caso Castro/Seabra, este filme aborda o assunto através de outra perspectiva, noutra época, com o mesmo dilema. E não, não há atalhos para a vida...

sexta-feira, janeiro 14, 2011

Isto é demasiado cómico para ser verdade

Virgem, eu? Nunca. As estrelas que se alinhem!

Eu tenho poderes

A linha de apoio da minha rede de telemóvel ligou-me hoje. Nos últimos dias têm existido problemas nas ligações à internet através dos telemóveis na zona onde moro. Perguntaram-me se me tinha apercebido dos mesmos. Já detectaram a causa. Ao que parece a culpa é do meu telefone. Sim, tenho sido eu a incomodar-vos. E não, não vou dizer onde moro. Não me parece relevante. Até porque não tenho estado por lá...

Importa-se de repetir?

Uma vigília de solidariedade para com o assassino. Como?

quarta-feira, janeiro 12, 2011

terça-feira, janeiro 11, 2011

Há exactamente seis meses...

Entrava num novo prédio, conhecia novas pessoas, sentava-me numa secretária diferente e trabalhava noutro local. Não no que estou agora, mas num sítio novo. E quem disse que foi mau?

segunda-feira, janeiro 10, 2011

Coisas boas...

Terminar de ler "a máquina de fazer espanhóis", de valter hugo mãe, no mesmo dia em que assisto ao "josé e pilar", documentário sobre a vida quotidiana de saramago e da mulher. A velhice, a vida e a morte em duas formas de arte. Tão diferentes e tão iguais.

domingo, janeiro 09, 2011

O fim está próximo... ou não! #2

Uma figura pública do nosso país é brutalmente assassinada num hotel de luxo em Nova Iorque e há quem crie páginas como esta no FB. Já denuncei, espero que haja mais quem o faça. E agora vou tentar esquecer a foto de uma castração que acharam por bem lá publicar...

terça-feira, janeiro 04, 2011

Sem retorno

Há momentos que nos mudam para sempre. O que parece ser apenas uma birra, torna-se numa decisão irreversível. Quando somos adultos, raramente tem volta. E é triste...

sábado, janeiro 01, 2011

Feliz Ano Novo

Um pastor disse-me que sou "uma menina muito linda" *ler com desprezo, por favor* e um gato preto roçou-se nas minhas pernas como se não houvesse amanhã. Se 2011 arranca assim, o melhor é não se falar mais nisso e deixar andar. A ver onde é que as modas páram...

terça-feira, dezembro 28, 2010

Há sempre uma primeira vez para tudo...

Este foi o ano em que perdi o meu primeiro emprego, um emprego que mantinha há anos. E as lições que isso me ensinou? Algumas ainda estão a ser assimiladas. Aprendi, sobretudo, que por muito que uma rotina nos consuma e pareça nunca ter fim, há um dia em que termina. E nunca mais a poderemos tocar, nem por um instante que seja. A vida muda, sem aviso prévio.

segunda-feira, dezembro 27, 2010

Mas crescemos ou quê?

Pronto, ok, foi Natal e todos - espero eu! - recebemos prendinhas. Pensava é que esta coisa de vir para a escola - ai, espera, é para a net - enumerar os presentes recebidos tinha terminado quando eu andava no ciclo, ou seja, no século passado. É que, além de constrangedor, é infantil. Divirtam-se lá com o computador ou com o iPhone ou o raio que o parta, mas não me chaguem a paciência, sim?

quinta-feira, dezembro 23, 2010

Advento #24


Baking Christmas

Advento #23

Eu, Edwiges, me confesso

Os mais inteligentes deitam-se tarde. É este o estudo que metade da população facebookiana anda feliz da vida por partilhar com os amigos. É que, segundo a London School of Economics and Political Science, os que se deitam mais tarde - as corujas - são tendencialmente mais inteligentes do que os que acordam cedo - as cotovias. Tenho para mim que os viciados na net se deitam com as galinhas, acrescentando mais uma ave à equação. Ora eu, qual Edwiges, gosto de perceber que estou rodeada de iguais.

segunda-feira, dezembro 20, 2010

sábado, dezembro 18, 2010

A arte de rodar a caneta

Duas das pessoas com quem trabalhei assinam dois dos livros que fazem as monstras da quadra natalícia. Vi-os esta semana pela primeira vez. São trabalhos biográficos e de investigação jornalística. Cada um com o seu grau de pertinência e interesse. Não são os únicos. Outras duas pessoas com quem trabalhei também editaram, neste final de ano, as suas obras literárias. Sempre com cunho de investigação como sustento do que escrevem. Mais uma vez, não são os únicos. Mas são os primeiros que conheço bem, sem precisar de ler o pequeno resumo biográfico da capa para me lembrar de quem são. E, ao orgulho, alia-se a vontade de fazer o mesmo. Entregar-me a um tema, estudá-lo exaustivamente, falar com quem de direito, investigar e tecer considerações e, no final, passar o resultado para um documento que dará lugar a um livro. E porque é que isto é estranho? Porque sempre tive a certeza que não o queria fazer. Até perceber que o que eu não quero é escrever mais um livro. Um daqueles que existem aos pontapés e que qualquer badameco edita, mesmo que não saiba usar o teclado de um computador. A fazê-lo, que seja com um objectivo claro, um propósito e um público específico. Disso gosto.

Advento #18

Andei quase seis horas nas lojas e não comprei um presente sequer. Devem faltar-me 40 por cento, que isto há sempre uns que se juntam à lista inicial...

A Muji já abriu

E está aquém das piores expectativas...

Implicância

Não há nada mais deprimente do que começar uma entrevista com um: 'com esta idade já devia estar morto, acha que vale a pena?'. E continua-se neste registo até ao fim da entrevista. Daniel Oliveira no estilo mais desprezível de toda a história. É isso e os falsos momentos de surpresa. Insane mesmo.

sexta-feira, dezembro 17, 2010